Além do que se vê

By Luiz Valério terça-feira, 22 de julho de 2008
O nosso colaborador Érico Veríssimo também migrou para cá e aqui publica o seu primeiro texto, lançando um olhar sobre a forma como Roraima e os roraimenses são vistos pelo restante do país. Muito de preconceito e desconhecimento. O que demonstra falta de conhecimento geográfico e cultural do brasileiro em relação ao seu próprio país e um tanto de descaso das autoridades, que tratam o estado como se não existisse do ponto de vista das questões ligadas à políticas públicas e maior cuidado com as fronteiras desta banda de cá. Confira o texto do amigo Érico.
Por Érico Veríssimo (*)
Escândalos! Mais escândalos! O que Roraima tem a oferecer ao País além de suas mazelas? O que, além de seus infindáveis escândalos? Toda vez que o Estado aparece na TV algo de podre está rolando... Não damos boas notícias; não inventamos nada útil; não somos campeões em nada positivo; não ilustramos rankings invejáveis de economia, saúde, honestidade ou educação. Pelo contrário, estamos sempre na rabeira, sempre em último lugar e quase nunca somos lembrados. Quando lembrados, dão-nos Porto Velho como capital ou RO como sigla.
Gafanhotos, Codesaima, Funasa, Máfia da Pedofilia, desvio de verbas públicas para favorecimento de campanhas eleitorais.... Enumerar tantas “glórias” de Roraima levaria muito mais do que as poucas linhas aqui usadas... As pessoas de outros estados não se envergonham em dizer que não conhecem Roraima (ainda que tenham estudado Geografia nos primórdios de sua educação); muitos ainda imaginam que vivemos cercados de índios, andamos nus, não temos nenhum sinal de modernidade, cercados pela mais primitiva e densa Floresta Amazônica. Não nos dão nenhum crédito! Somos a última fronteira!
Devemos concordar que estamos bem distantes do resto do País; nossa comunicação é difícil; o transporte para outras regiões é precário; nosso custo de vida é alto porque não produzimos e dependemos de outros estados para suprir a demanda por produtos essenciais. Mas, não é justo querer classificar os nossos casos de corrupção e demais escândalos como únicos! Eles podem ser a única coisa que nos leva aos jornais nacionais, mas com certeza não diferem em muito dos horrores que acontecem País afora.
Levando-se em conta o que acontece do Oiapoque (ou melhor, do Caburaí) ao Chuí quando o assunto é corrupção, a imagem que fica não é a do Estado corrupto, e sim, a do País corrupto... As fronteiras deixam de existir e somos colocados todos no mesmo balaio... Tornamo-nos brasileiros, muito menos pela retidão de caráter do que pelo desvio de conduta e tolerância aos escândalos que acontecem diariamente.
A impressão que se tem é de que em terras roraimenses a impunidade é o fim mais certo. A influência e o poder econômico dos envolvidos nos escândalos mais recentes dá provas de que tudo aqui caminha para acabar em pizza. Nem a visibilidade nacional dos fatos que aqui ocorrem tira da face de alguns o sorriso fácil esperando que tudo acabe em nada!
Mas, nossa esperança é renovada a cada oportunidade que temos de expurgar a escória que tenta alcançar cargos políticos à nossa custa. Então, só nos resta saber aproveitar e acreditar no velho sonho de que o poder de mudança está em nossas mãos. Se não pensarmos e agirmos assim, seria melhor ultrapassarmos os limites da “última fronteira” mais ao norte e apostarmos as últimas fichas num desses países desconhecidos que nos cercam!
Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR)
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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