Eduardo Bueno: contando história com humor

By Luiz Valério quinta-feira, 24 de julho de 2008
Eduardo Bueno, o Peninha, é um gozador. Escritor de estilo invejável, Bueno sabe falar de coisas sérias de uma forma totalmente escrachada, cheia de humor. Gaúcho, gremista "roxo", jornalista, historiador, tradutor e editor, sua próxima aventura será contar um pouco sobre Roraima pelo viés da geografia. Deve escrever um livro sobre o Monte Caburaí. Foi o que ele antecipou ontem em palestra impagável na Faculdade Cathedral, em Boa Vista (RR). Bueno veio a Roraima participar do Laboratório do Escritor, projeto que já rodou outras capitais brasileiras sob patrocínio do Banco do Brasil.

O tema da palestra deveria ter sido "Processo Criativo", mas Eduardo Bueno acabou falando sobre mercado editorial, história do Brasil, política, futebol e... "processo criativo". Disse que optou pela carreira de escritor historiador pelo fato de que o material do jornal é efêmero. "O jornal do dia seguinte já não interessa mais a quase ninguém". Depois emendou: "interessa a mim, como historiador".

Ao se decidir por recontar a história do Brasil (que é muito mal contada nos livros didáticos com seus erros e omissões absurdas), Bueno diz que buscou lançar um olhar na história pelo viés jornalístico. Daí a leveza do seu texto. O que fez Eduardo Bueno se interessar por escrever livros de história foram, segundo ele conta com um senso de humor incrível, as torturantes aulas ginasiais no Colégio Anchieta em Porto Alegre.

Ele não poupa críticas à forma como se ensina História na escola até hoje. Diz que o colégio poderia ser "o começo de uma experiência transcendente, mas não é". Bueno traz consigo - revelada pela sua prática de historiador - a certeza de o conhecimento está ao ar livre e é muito mais dinâmico do que o repassado aos estudantes na sala de aula. Foi viajando, conversando, refazendo caminhos, reconstruindo fatos relatados pela metade ou omitidos pela história oficial contada nos livros didáticos que Eduardo Bueno fez a sua "fama e fortuna", como ele costuma dizer em tom de deboche.

Definindo-se como "um cara ligado à cultura pop", Bueno tem a convicção de que para que os livros de histórias sejam agradáveis é preciso encantar e seduzir o leitor. "Quando você ler um livro de história e não entender nada, a culpa é do escritor e não sua. A leitura tem que ser prazerosa", afirma. Para ele, o momento de escrever ainda é árduo e solitário. Diz que escreve melhor à noite e... bebendo. Ele comanda todo o processo de produção do livro: escreve, diagrama, edita, ilustra, legenda. "Por isso os meus livros são muito editados", afirma.

Eduardo Bueno não fala. Ele tem convulsão verbal. Mas não cansa o ouvinte. Pelo contrário. Encanta. A figura excentrica do quadro "É muita história", do Fantástico (Rede Globo), é ainda mais excêntrica pessoalmente. Inquieto, cheio de trejeitos gaúchos, fala extremamente articulada e rápida, Bueno teria, sim, que ser contador de história. É uma espécie de humorista das palavras. Um showman das letras. Por isso mesmo ele tem sido alvo de críticas diversas por parte de acadêmicos empolados, que não gostaram da forma como ele recontou a história do país. "Mas eu estou cagando pra eles", diz.

Na avaliação do escritor, é a Internet está contribuindo para o surgimento de novos talentos literários apesar de ponderar que ainda tem muito material rasteiro na rede mundial de computadores. Ele diz que tem blogs de baixíssima qualidade literária na web, mas, por outro lado reconhece ser "maravilhoso que os blogs estejam disponíveis". Bueno Guarda diz acreditar que a qualidade do que é escrito na Internet vai melhorar, ainda que continue sendo publicado muita coisa sem valor.

Lá pelas tantas, perguntaram a Bueno sobre o papel da imprenssa como legitimadora dos interesses do econômico brasileiro. Para o historiador "a imprensa brasileira tem muitos e sérios defeitos, mas num país con como o Brasil que tem tantos problemas a imprensa é o menor". O papo com Eduardo Bueno ainda duraria alguns minutos. Terminou com ele dizendo. "Só acreditem no que eu escrevo". Depois, foi cercado por fãs que queriam o seu autógrafo. Fim de noite. Vale a pena.

Imagem: Revista VIP
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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