Nunca brinquem com arma de fogo. Pode ser trágico!

By Luiz Valério segunda-feira, 29 de setembro de 2008
*Ademildo Magalhães

Madrugada de sábado para domingo. A rede rádio anuncia uma ocorrência com disparo de arma de fogo. Imediatamente duas unidades policiais se deslocam para atender o chamado.(Leia mais aqui e entenda o caso)
A primeira unidade policial que chega ao local se depara com uma mãezinha, tendo em seus braços seu filho de apenas dez meses ferido gravemente e que necessitava urgentemente de socorro médico.
Numa luta desesperada contra o tempo para salvar uma vida, sem pensar duas vezes, a equipe o socorre apressadamente em direção ao atendimento hospitalar emergencial. No caminho encontram uma equipe dos “anjos da vida” dos bombeiros militares.
Ao transferir o pequenino paciente aos paramédicos, que então foi possível verificar os sinais vitais da vítima. Triste momento, de dor e sofrimento para a mãe, que pedia desesperadamente para salvar seu filhinho. Infelizmente, a criança já não tinha mais esperança de vida.
O desespero daquela mãe, sentindo-se impotente diante daquela situação, não lhe restava outra alternativa, a de receber os cuidados médico e psicológico daquela equipe. Nesse momento ainda buscávamos uma explicação, como aquilo teria acontecido?
Mais dolorido ainda, foi a forma trágica que o pequenino e inocente “bebê da mamãe” perdeu a vida. Havia apenas despertado para o mundo, com seu rostinho afável de anjo, agora, descansava em paz nas graças do Senhor Criador. Nós policiais fazemos parte da sociedade a que servimos, tentamos ser fortes e inabaláveis diante das dificuldades que enfrentamos.     Procuramos respeitar as forças estranhas a nossa vontade, pois acreditamos que o bem sempre vence, mas desta vez ele sobressaiu e sentimos o dissabor da derrota. Não somos onipresentes, mas queríamos estar em cada casa, rua, esquina, praça, bairro e município, para ensinar e orientar a quem tanto precisa aprender a valorizar o bem mais precioso, a vida.
A cena tão chocante que vai marcar nossas vidas aconteceu de forma irresponsável, negligente, imperita e amadorística. Diariamente vemos na mídia, casos como este pelo Brasil e mundo afora. Não acreditaríamos que um dia aconteceria em nossa cidade, mas de repente, somos pego de surpresa pela fatalidade.
Veja a tamanha irresponsabilidade do portador de uma arma de fogo, o pai da criança manuseava a arma dentro de casa e em direção as pessoas que ali se encontravam. Na prática Policial adotamos a teoria da Lei de Murphy, “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”.
Ocorreu exatamente isso. Um revólver calibre trinta e oito, com todas as seis câmaras do tambor cheias, nas mãos de quem não deveria estar portando. Um disparo “acidental e trágico” levou a vida de um inocente. Nada apaga o peso da consciência de perder um filho, principalmente deste pai, que inadvertidamente cometeu o seu minuto de besteira neste dia.
Entristecido, deixo minha solidariedade e fraternos abraços aos familiares e amigos do pequenino “Menino-Bebe”. Também tenho o dever de orientar e aconselhar os adultos conscientes do perigo, “pelo amor de quem tanto amamos”, nunca brinquem ou deixe armas de fogo ao alcance de inocentes.

* Capitão da Polícia Militar de Roraima
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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