Os pontos vulneráveis do projeto Globo Amazônia

By Luiz Valério quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Os temas meio ambiente e aquecimento global devem estar na agenda de todos os que se preocupam com o futuro do planeta. Disso ninguém discorda. Mas fazer da questão ambiental, principalmente da Amazônia, uma marca para vender um produto está virando moda no país. Todo mundo agora assumiu a bandeira da responsabilidade social. As Organizações Globo não são exceção à regra.

No último domingo, 7, foi lançado no Fantástico, o portal Globo Amazônia, cujo objetivo é gerar matérias sobre a questão da degradação da maior floresta tropical do mundo e receber denúncias de desmatamentos feitas por usuários, além de acompanhar o monitoramento realizado pelo Ibama sobre a questão. Como não poderia deixar de ser, o poder midiático da Rede Globo de televisão fez com que da noite de domingo para segunda houvesse uma explosão de mais de 500 mil protestos sobre desmatamento. Até por volta das 17 hora de ontem, esse número já estava na casa de dois milhões de protestos. Hoje o Globo Amazônia já apresenta um extraordinário número de mais de 3,6 milhões de protestos.

O portal dá a possibilidade de acompanhamento, pelos internautas, dos desmatamentos na Amazônia pelo Orkut, por meio da disponibilização de um mapa. De acordo com o portal 116.874 usuários do site de relacionamentos já instalaram o aplicativo em suas páginas. A intenção da Globo é boa. Não há como negar. Mas a mim me parece mais um daqueles projetos oba-oba para atrair audiência, pegando carona num tema da moda, para atrair dividendos gerados pelo aumento da audiência. Claro que as reportagens que vierem como resultado da paticipação dos internautas e dos dados fornecidos pelos órgãos fiscalizadores podem gerar uma maior conscientização dos brasileiros quanto à necessidade de se proteger uma das maiores fontes de biodiversidade do planeta. Mas ainda assim, o projeto me parece ser de apelo apenas comercial para a Vênus Platinada.

Uma coisa que me chama a atenção e que considero questionável é a possibilidade de um mesmo usuário fazer milhares de protestos para inflar as estatísticas do portal. Repito: hoje o site comemora mais de 3,6 milhões de protestos, mas há no ranking do site há usuários que, sozinhos, já protestaram mais de 4.000 vezes. É o caso de internautas como Maycon (4.958 protestos), Diogo (4.278 protestos) e Lúcio (4.115 protestos). Ou seja, a força dos protestos pode ficar reduzida apenas à sede de holofotes e 15 segundos de fama de alguns internautas. Acredito que seria mais salutar e legítimo permitir que cada usuário registrasse apenas um protesto. Essma medida daria um tom de mais seriedade a essa acompanhamento feito pelo portal Globo Amazônia.

No mais, a iniciativa tem lá o seu valor por colocar a Amazônia no centro das atenções da mídia nacional e internacional. Se bem que, independente dessa nova investida das Organizações Globo, o mundo inteiro já está com os olhos voltados para esta região estratégica para o planeta devido a questões como a polêmica em torno da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e das constantes denúncias de queimadas verificadas antes mesmo da empreitada das OG.

Imagem: portal Globo Amazônia.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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