Meio ambiente, cidadania e desenvolvimento

By Luiz Valério terça-feira, 2 de dezembro de 2008
A Constituição Federal de 1988, chamada de Carta Cidadã, instituiu os plebiscitos e as audiências públicas como forma de se ouvir a população sobre temas que podem ter influência decisiva em sua vida.

Infelizmente, passados 20 anos da promulgação da Carta Magna, o povo brasileiro ainda não aprendeu a fazer uso desses instrumentos que materializam o conceito subjetivo de cidadania. Cidadania deve ser mais que uma palavra simpática, cheia de simbologia, catalogada no dicionário. Cidadania é algo que só tem valor se praticado efetivamente. Do contrário, não passa de um verbete para o qual se atribui significados que se tornam insignificantes, por não serem postos em prática.

Ocorreu-me escrever sobre isso agora devido às reflexões que tenho feito sobre a participação da sociedade roraimense nas audiências públicas realizadas pelo Comitê Gestor da Secretaria de Planejamento do Estado e a Comissão Externa Especial da Assembléia Legislativa de Roraima para discutir o projeto de Zoneamento Econômico Ecológico no interior de Roraima.

Na maioria das rauniões a presença das pessoas foi muito pequena. Um projeto de Zoneamento Econômico Ecológico para a população de um estado amazônida como Roraima é algo muito importante. Afinal, a região vive às voltas com a degradação ambiental, ocasionada pela gana de lucro a qualquer custo sem se levar em conta os danos que se pode causar ao meio ambiente.

O mais preocupante ainda é que boa parte dos poucos participantes das audiências públicas é totalmente adepta do pensamento, segundo o qual o que importa é produzir sem dar muita trela para os impactos ambientais que o desmatamento desordenado pode causar. Qualquer texto ou legislação que busque proteger minimamente o meio ambiente é logo visto como contrário aos interesses de desenvolvimento do estado.

Viajar Roraima de ponta a ponta como fiz esses dias, me deu a noção do quanto o meio ambiente precisa ser protegido por aqui. As paisagens exuberantes que pude apreciar durante dias a fio podem desaparecer em breve, caso os interesses que defendem o lucro a qualquer custo não sejam freados. O pior de tudo é perceber que ainda há quem não queira aceitar a tese de que as mudanças climáticas registradas mundo a fora, promovendo catástrofes ambientais é tudo fruto do desrespeito a natureza. Fica aqui o registro.

PS - Um alerta ao Ibama: madeireiros estão praticando o transporte de madeira ilegal na calada da noite. Enquanto voltávamos do sul do estado de Roraima, nos deparamos com um caminhão carregado de toras de madeira. O responsável pelo carregamento aproveitava-se do breu da noite para escapar do cerco da fiscalização.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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