Coronéis processados em Roraima. O tempo é o senhor da razão

By Luiz Valério quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A condenação, pela Justiça Federal, de 14 integrantes da Polícia Militar de Roraima, na sua maioria oficiais, sob acusação de improbidade administrativa durante a gestão do ex-comandante Arnóbio Lima Bessa (2001 e 2003) na verdade demorou muito. O processo que tem o nº 2005.42.00.002485-9 é composto por mais de seis mil páginas e é oriundo de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF).

Os outros condenados foram os coronéis Mozart Paulo da Silva Júnior (ativa), Ben-Hur Gonçalves (reserva), Márcio Santiago de Morais (reserva); os tenentes-coronéis Vasco Jones, Ronan Marinho, Dílson Rogério Diforene Vaz, Valdinar Carvalho Guimarães, Wilson Nunes Pereira (ativa) e o major Eliabe de Souza Campos.

Além da coronelada, ainda receberam condenação da Justiça Federal os sargentos Claudionor Cavalcante Araújo (ativa), José Antonio dos Santos Chaves (ativa), Linaldo Medeiros do Nascimento (reserva) e o sargento do Corpo de Bombeiros José Carlos Lima Vilhena (ativa). Outros cinco oficiais da PM foram inocentados das acusações.

Lembro-me bem que quando eu trabalhava num jornalão local, recebi de mãos beijadas todo o dossiê fartamente documentado com os passos em falso dados pelo coronel Arnóbio Lima Bessa, uma bomba feita à base de nitroglicerina pura. Mas fui impedido de publicar orientado a não publicar pelo então patrão, uma vez que o coronel denunciado tem laços de parentesco ou coisa que o valha com ele. Na discussão sobre se escreveria ou não a matéria, o calhamaço de papel acabou por ficar com o publisher.

Mais de cinco anos depois, eis aí a bomba: Arnóbio Venício Lima Bess (hoje na reserva) e mais uma curriola um time inteiro de oficiais hoje estão condenados pela justiça por improbidade administrativa. Uma coisa é certa: a verdade pode ser ocultada por um período curto ou longo de tempo, mas não o tempo todo. Mais cedo ou mais tarde ela vem à tona. E aí a casa cai.

Caso o material tivesse sido publicado naquela época, certamente o processo judicial teria sido instaurado há mais tempo e a sentença já tivesse saído também. O dever da imprensa é publicar informações que dizem respeito ao zelo ou à falta deste para com a coisa pública. Quando verdades são engavetadas, os danos continuam sendo perpetrados. Quem sai perdendo com isso é a população e os leitores.

Veja a íntegra do processo clicando aqui.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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