Mutirão contra a violência - É preciso humanizar a abordagem da violência

By Luiz Valério sexta-feira, 26 de março de 2010

Teresa Jucá*

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Por onde eu tenho andado, a violência urbana tem sido uma das grandes preocupações que surgem em comentários de conhecidos e amigos. Todos, amedrontados, sentem a necessidade de cobrar das autoridades ações duradouras para o enfrentamento desse problema comum nos bairros de nossa cidade.

Como ex-prefeita e cidadã de Boa Vista, convivo com o problema e me sinto na obrigação de vir a público discuti-lo. Essa obrigação ficou mais forte ontem, quando vi a notícia de que dois adolescentes, um de 15 e outro de 17 anos, mataram um pai de família de 49 anos.

O momento é de trazer para o debate esse problema. A sociedade como um todo tem o dever de buscar soluções não só imediatas, como as ações repressivas, mas também a longo prazo, buscando principalmente a prevenção desses crimes que, em boa parte, tem envolvimento de jovens e adolescentes.

A ação policial é fundamental, mas será sempre insuficiente caso não sejam tocadas as raízes da violência. A desagregação familiar e a falta de referências afetivas, a falta de oportunidades educacionais e profissionais, a falta de reconhecimento do problema e suas causas por parte da sociedade e do poder público desafiam-nos e nos chamam à reflexão.

Se as famílias estão falhando, por não conseguirem mais dialogar com seus filhos, impor limites, vigiá-los e educá-los, então compete à sociedade reconhecer o problema e aos governos, em última instância, garantir políticas públicas de promoção da pessoa humana e da família, somando-as às políticas de segurança pública, como constatei no trabalho que fiz por dez anos à frente da Prefeitura de Boa Vista, com o Projeto Crescer e vários outros. Comento com conhecimento de causa.

Temos visto muitos adolescentes se encaminharem para o crime, por vários motivos. Políticas de recuperação do jovem infrator são necessárias, mas somente serão efetivas se a sociedade e os operadores dessas políticas gostarem daqueles jovens e reconhecerem que, mais que a punição ou castigos maiores, eles precisam de oportunidades.

Deve-se reconhecer que eles mesmos sofrem a violência que praticam e precisam ser amparados, assim como suas famílias, suas vítimas, as famílias de suas vítimas, e os agentes públicos, como os policiais, que são obrigados a conviver com essa lamentável rotina.

Se não houver um trabalho preventivo, com a ação forte de programas sociais, vamos continuar assistindo, de forma impotente, esses jovens se envolverem primeiro com a delinquência e, mais tarde, com o crime, destruindo não só sua própria vida como a vida de pais de família, como é o caso que ocorreu na madrugada de ontem.

Há que re-humanizar o tratamento dessa questão. Há que constatar, mais uma vez, que antes da repressão deve-se optar por privilegiar a prevenção. É muito mais viável reforçar na criança e no jovem valores e comportamentos socialmente adequados do que tentar recuperar pessoas embrutecidas pelo cometimento de crimes e por uma rotina de privação material e afetiva. Foi este princípio que nos levou a ter êxito no Projeto Crescer. Recuperá-lo é fundamental para possibilitar execução e a continuidade das políticas públicas di recionadas para os jovens carentes, bem como uma diminuição da violência em nossos bairros.


*Ex-prefeita de Boa Vista e idealizadora do Projeto Crescer

Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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