Um estado com fome de cultura

By Luiz Valério sexta-feira, 2 de abril de 2010

A matéria que produzi para a edição do jornal Monte Roraima que estará nas bancas a partir de amanhã aborda a ausência de políticas públicas de cultura realmente eficazes, que possibilitem aos artistas, produtores, gestores e consumidores de cultura trabalharem de forma a gerar riquezas em Roraima. Tomei por base para produzir o material toda a experiência que vivi junto com duas dezenas de voluntários e instituições governamentais e não governamentais na organização e realização das conferências municipais e estadual de cultura. Todo o diagnístico da situação dos municípios roraimenses e da Capital Boa Vista no que diz respeito às precárias condições dos equipamentos de cultura [ou a sua inexistência], a falta de uma política de capacitação e qualificação dos agentes culturais, a falta de investimentos no setor, o clamor pela criação de uma secretaria estadual de cultura, tudo isso sistematizado num relatório elaborado de forma competente pela secretária executiva das conferências, Mônica Padilha, também me permitiu traçar um perfil do estado no tocante à questão. Ouvi fontes detentoras de extremo conhecimento sobre essa questão, como Elena Fioretti, Laucides Oliveria e o presidente da Frente Parlamentar de Cultura da Assembleia Legislativa, deputado Sargento Damosiel. Creio que o material ficou bom. Resta lembrar que nos grandes centros como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, etc., a economia da cultura é uma realidade. Lá as produções culturais movimentam milhares e milhares de reais. Aqui, as políticas de cultura são insipientes e se resumem a realização de eventos pontuais.

garimpeiro

Um aperitivo do texto que poderá ser lido em duas páginas de jornal:

Fome de cultura

Roraima viveu no mês de outubro de 2009 um grande mutirão social pela cultura. Onze entidades, órgãos e instituições governamentais e não governamentais, como é o caso do Fórum Permanente de Cultura de Roraima, se deram as mãos para realizar as conferências municipais e estadual de cultura, que ocorreram de 9 a 30 daquele mês. No final um diagnóstico preocupante: faltam políticas públicas de cultura eficazes; os artistas, produtores, gestores culturais vivem de pires na mão, mendigando ajuda governamental; a inexistência de uma secretaria de estado exclusiva para a cultura  faz com que os recursos destinados ao setor cultural sejam ínfimos e as realizações se resumam a eventos pontuais, sempre patrocinados pelo governo. Resumo: Roraima ainda tem uma longa estrada a percorrer até que possa sedimentar uma economia da cultura que possa gerar emprego e renda e se colocar numa situação de destaque a nível nacional.

(…)

Casa de Cultura caindo aos pedaços, Teatro Carlos Gomes entregue aos fantasmas, Museu Integrado que não recebe a devida atenção, Parque Anauá depredado e com seus recursos naturais exauridos,  prédios de valor históricos sendo derrubados, inexistência de uma política de tombamento, carência absoluta de orçamento para a cultura. Eis a situação de Roraima no que diz respeito às políticas públicas de cultura. Com manifestações culturais diversificadas, casarões históricos belíssimos, lendas e mitos que povoam o imaginário popular e fascinam os turistas que passam por aqui, Roraima tem tudo para atingir um patamar de destaque entre os demais entes federados.No entanto, a miopia dos gestores no tocante a essas questões, faz com que Roraima seja vista e imaginada lá fora apenas como uma terra de índio, onde os jacarés andam pelas ruas e os políticos espertalhões fazem farra com o dinheiro público.

O material completo, disposto em duas páginas, pode ser lido no Jornal Monte Roraima.

Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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