Sistema prisional com as vísceras expostas

By Luiz Valério segunda-feira, 5 de abril de 2010

Em dezembro de 2008, escrevi um post intitulado “Fatos que a Operação Bastilha não revelou”. no qual eu relatei uma conversa que tive com um ex-diretor da Penitenciária Agrícola do Monte Cristo sobre a "Operação Bastilha", da Polícia Federal, na qual foram presos ex-diretores e agentes carcerários envolvidos no crime organizado que permitiam a ação de traficantes e matadores dentro daquele presídio. Alegando não poder se identificar, por moitos óbvios, o ex-diretor da PA disse que todos os desmandos que acontecem dentro daquela unidade tem a ver com a "briga" de coronéis pelo poder. Chegou a afirmar que algumas fugas ocorridas são, muitas vezes, permitidas e até articuladas por "forças ocultas" da Polícia Militar para desestabilizar o diretor que não contar com a simpatia e apoio de alguns detendores de alta patente da corporação. Foi uma conversa séria sobre questões igualmente delicadas e que tem a ver com a segurança dos cidadãos aqui fora e a dignidade dos detentos dentro da PA. Pois bem, mais de um ano depois, recebi um comentário explosivo sobre o assunto abordado no post. Reproduzo integralmente o que disse o comentarista. Não acrescendo nem mudo uma vírgula o que ele disse. O texto razoavelmente bem escrito [com alguns atropelos de estilo e de sintaxe, é bem verdade] denota se tratar de alguém preparado e que sabe bem o que está falando. Leia e confira:

 

Sistema que mata


Na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo tudo continua como antes, albergados se misturam com presos do regime fechado, etc, demonstrando que nada levou a lugar nenhum.
Enquanto a cúpula do Governo, junto com Ministério Público, fez promessas de beneficiar presos em troca de falsos testemunhos para assim desencadear uma Operação, com fito de justificar as mazelas de um Sistema congelado há mais de 20 anos, em vez de reconhecer que o caminho a frente será cheio de buracos e que é difícil tirar proveitos dos obstáculos a não ser sofrer por causas deles. Diante dessa persistência em não cumprir com a lei de execução penal, que assim vem favorecendo alguns presos a continuar no mundo do crime, mesmo encarcerado.
No entanto, após a “Operação Bastilha”, onde várias pessoas foram presas com base nesses depoimentos, negociados com estas “autoridades” que progressão de regime, cestas básicas, salário família, entre outras recompensas. Com isso, prenderam várias pessoas inocentes, mais esqueceram que o arcaico Sistema Prisional continua na mesma falência.
Sempre propiciando aos traficantes que controlam a criminalidade no Estado, continuar com os crimes por eles praticados, que é o tráfico e execução daqueles que de alguma forma tentam atrapalhar a maneira deles ganhar dinheiro fácil, além de ser conhecido mundialmente o poder do tráfico, ultimamente tem sido estampado nas páginas de jornais vinculante na capital, demonstrando que após a “Operação Bastilhas” as mortes na Penitenciária Agrícola – P. A. continuaram em 2009, após a Operação Bastilha dentro da P. A. foram mortos Jaime Ribeiro de Medeiros, Edvaldo Lima Batista, Gilberto Cardoso de Carvalho e Ricardo Sousa Pereira, e quando, lá dentro deu uma trégua, na cidade as mortes aumentaram, sendo a maioria das vítimas, pessoas que faziam parte do Sistema Prisional, isto é, eram ex-presidiários e ou albergados, casos como da Maria Elizabete (Caboca Bete), Marcelo Jonathan Lima Lira (Marcelo Rato) e da Gracinéia Rodrigues dos Santos (Neca), Robson Cezar (Brilhoso) e do próprio pistoleiro Haroldo Marques da Costa (Cabeção). Essas pessoas pertenciam ao Sistema Prisional e foram executadas por causa do tráfico, onde até um Juiz hoje faz parte da lista das próximas vítimas dos traficantes.
Que a sociedade fique sabendo de onde vêm tantas atrocidades praticadas nesse Estado!!!

A publicação desse comentário na íntegra em forma de post faz parte da política deste blog de sempre subir as colaborações relevantes para o espaço mais visível desta página. Como o tema segurança pública tem sido motivo de debate constante nos últimos dias, nada mais propício do que dar espaço a quem tem o que dizer

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Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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