As eleições e a nossa democracia capenga

By Luiz Valério segunda-feira, 12 de julho de 2010
Será que o exercício da democracia é realmente isso que assistimos em época de eleição: candidatos puxando o tapete um do outro e torcendo para que o adversário vá preso ou seja condenado para poder assumir a dianteira na preferência do eleitorado? Será que esse modelo eleitoral vigente no Brasil faz valer o que deveria ser uma democracia de verdade, onde o povo pudesse escolher de forma soberana e se interferências ou seduções aqueles que melhor representassem sua vontade ou que se mostrassem mais competente para gerir o destino de uma sociedade como a nossa?
Acompanho o início do jogo eleitoral e fico a pensar sobre essas questões. Como jornalista, sei que o que é dito e publicado tem menos de verdade do que o eleitor merece saber, pois é o que nos chega e o que conseguimos cavar embaixo de uma estrutura perversamente montada para ocultar o que é de interesse social. Existe toda uma engrenagem funcionando para permitir a existência de um simulacro social onde o que importa de verdade não é dito por interesses maiores [na verdade, interesses menores]. Dessa forma, a verdade fica oculta sob um manto de segundas e terceiras intenções. As jogadas de bastidores chegam a ser imorais e muitas vezes desumanas, tudo movido pelo desejo bestial de chegar ao poder ou se manter nele, custe o que custar.
Em nome do poder, candidatos traem, criam factóides, contratam paus mandados para forjar dossiês, mentem, maquiam a verdade, manipulam dados, desviam recursos públicos para campanhas, fazem e acontecem... São capazes de vender a mãe para atingir seu objetivo. E me custa crer que seja com o olhar voltado para o bem-estar coletivo. Com tanta coisa em jogo, fico imensamente triste quando vejo pessoas dizerem que detestam política. Aqui eu falo da boa política. Os cidadãos deveriam se envolver mais, discutir mais, querer saber mais, influir mais, fiscalizar mais, sem mais cidadãos, enfim.
Enquanto o exercício dessa prática milenar for deixada nas mãos apenas dos políticos profissionais, teremos esse circo de horrores que nos é oferecido a cada dois anos. E nesse modelo eleitoral brasileiro, a ânsia de galgar cada vez mais postos no poder faz com que os eleitos nunca cumpram um mandato completo: o prefeito eleito numa ocasião logo se coloca como candidato a deputado federal, o vereador sai no pleito seguinte candidato a deputado estadual, o senador se lança candidato ao governo, o governo em segundo mandato busca o Senado, e os mais afoitos se aventuram à Presidência da República numa ciranda eleitoral sem fim.
Em benefício do povo? Sinceramente, duvide-o-dó! As ações antiéticas, rasteiras e desumanas até, denunciam outros interesses. Sei que alguns vão me considerar pessimista. Eu prefiro dizer que escrevo este texto movido por um doloroso senso de realismo, pois eu queria muito que as coisas não fossem assim. Queria poder acreditar na nobreza das intenções da maioria dos políticos. Queria...


Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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