Os candidatos e seus planos de governo. Uma prévia das propostas apresentadas ao TRE

By Luiz Valério sexta-feira, 16 de julho de 2010
Hoje tive acesso aos planos de governo dos quatro candidatos ao Governo de Roraima.

Em se tratando de volume, o do governador e candidato à reeleição Anchieta Júnior (PSDB) é o mais robusto. Tem 77 páginas. O do candidato progressista, Neudo Campos (PP), se resume a dez páginas. O do socialista Robert Dagon (PSOL) tem cinco páginas e o do médico Petrônio Araújo (PSH) é o mais enxuto, com uma página apenas. Cabe dizer aqui que volume não é significado de qualidade. Mas tendo analisado os planos dos candidatos, digo que o de Anchieta Júnior é exageradamente otimista, beirando ao irreal.

A meta que mais chama a atenção do Plano de Governo de Anchieta Júnior é querer “alcançar o melhor desenvolvimento humano sustentável da região Norte, situando-o em nível superior ao da média nacional (IDH maior que 0,766)”. O documento apresenta a proposta ambiciosa de transformar Roraima no “melhor lugar da Amazônia para viver e trabalhar em dez anos”. Como? O documento não deixa claro.

Nunca é de mais lembrar que Roraima tem 21 anos vida na condição de ente federado e muito pouco foi feito até agora para que essas metas fossem atingidas. Mais quatro anos serão suficientes? Haverá empenho para por em prática tais promessas? O plano fala na necessidade de desenvolvimento sustentando com respeito ao meio ambiente, mas coloca como meta para se atingir esse mesmo desenvolvimento dar prioridade ao agro-negócio. A realidade já comprovou que uma e outra coisa são incompatíveis. Principalmente aqui nos estados do Norte. Uma ou outra parte sempre sai perdendo.

Já Neudo Campos optou por um plano resumido, composto por 11 itens que abordam os eixos administrativos a serem priorizados num possível governo, a partir de janeiro de 2011, sobre os quais ele propõe uma séria de ações de governo nas áreas da gestão pública; saúde e seguridade social; educação; defesa social; assistência social e políticas para as mulheres; turismo, cultura e meio ambiente; agropecuária e abastecimento; infraestrutura e transporte; emprego e renda; juventude, esporte e lazer; indústria, comércio e serviços.

Neudo não mostra em seu plano de governo indicadores a partir dos quais vai trabalhar nem as metas a serem atingidas. Vai direto ao ponto, elencando ações que se propõe a desenvolver, como a reestruturação da estrutura administrativa do estado, criação de uma secretaria de políticas para as mulheres e implantação de uma política de valorização dos servidores.

No campo da educação, o candidato aponta medidas que soam como pontuais, entre as quais atribuir qualidade na política de educação do ensino superior da Universidade Estadual de Roraima (UERR) e seus campi; adotar o regime de ensino em tempo integral, dotar as escolas públicas de bibliotecas com profissionais qualificados; e universalizar os laboratórios de informática com acesso à internet em todas as escolas públicas do estado, entre outros.

Petrônio Araújo, por sua vez, apresentou um Plano de Governo "baseado na doutrina humanista e solidarista" do  PHS, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e social, "sem a depredação do meio ambiente". O documento fala na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica para todos.

Extremamente resumido e vago, o  plano elenca 25 temas a serem trabalhados, sem maiores detalhes sobre nenhum deles. O primeiro ponto fala na realização de uma auditoria nas contas do Estado para diagnosticar a situação atual de Roraima. O combate ostensivo à corrupção no serviço público, discussão sobre "a excessiva taxa de impostos", a produção de energia hidráulica e de fontes alternativas e a execução de um orçamento participativo são os principais pontos do enxuto Plano de Governo protocolado por Petrônio Araújo no TRE.

O Plano de Governo do socialista Robert Dagon (Psol) expõe, ao longo de cinco páginas 50 propostas de políticas públicas divididas em 11 temas: segurança pública; saúde; educação; infra-estrutura; habitação; meio ambiente; emprego e renda; orçamento; cultura; turismo e esporte e serviços públicos. Dagon diz que vai estabelecer “uma ética de responsabilidade social”, no serviço público.

O socialista diz que vai promover “a inversão de prioridades, assegurando o resgate da dívida social através do direcionamento de serviços e investimentos públicos para as áreas mais abandonadas”. Ele também fala na separação entre público e privado, dando prioridade à transparência administrativa, e exercendo a fiscalização democrática sobre as ações do governo e o uso dos recursos públicos com auditoria rigorosa das contas estaduais.

Seguindo a linha de raciocínio dos socialistas do Psol, Dagon propõe “um choque de poder público com participação cidadã, garantindo a presença do governo nos espaços privatizados ou abandonados e propiciando a participação popular no poder local (Municípios e administrações regionais)”.

Creio que ainda voltarei a escrever sobre os planos de governo, tratando de outros aspectos, mas não queria deixar de trazer uma visão geral sobre as propostas dos candidatos ao governo para que os meus queridos leitores pudessem ver o que pretendem os postulantes ao Executivo estadual.


Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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