Sobre poder, dignidade e respeito - o caso da Câmara de Boa Vista

By Luiz Valério quarta-feira, 7 de julho de 2010
Não é de hoje que escrevo, nos espaços que me são abertos ou que crio para me expressar, sobre a perda de qualidade representativa da Câmara Municipal de Boa Vista.

Não posso falar do tempo em que ainda não morava e nem atuava como jornalista aqui em Roraima, mas desde 2002, quando aqui cheguei, tenho assistido a uma piora considerável na representatividade daquela Casa.

Essa última legislativa, cujos eleitos "subiram ao pódio" em 2008, até que não prometia decepcionar. Mas, acompanhando de perto os trabalhos e os acontecimentos de bastidores, que são os mais reveladores, percebo que grande parte dos vereadores trabalham com o olhar voltado para o próprio umbigo. Os interesses pessoais postos acima dos interesses da coletividade.

Há informações impublicáveis porque não há como prová-las. A menos que surgissem aqueles vídeos “arrasa-quarteirão” que fazem cair poderosos pelo Brasil a fora. Mas esse episódio da renúncia de quatro integrantes da Mesa Diretora da Casa, tramado desde segunda-feira (5), é emblemático.

Os vereadores George Melo (PSDC), Josiel Vanderlei (PSDB), Mauricélio Fernandes (PSC) e Rosival Soares (PSC) renunciaram aos seus cargos na Mesa Diretora para derrubar Braz Behnck (PPS). Este, com a experiência dos seus três mandatos, não renunciou nem esperou o dia seguinte para reagir ao que denominou de “tentativa de golpe”.

Foi em busca de amparo judicial para permanecer no cargo de presidente da Casa e evitar a virada de mesa, que se consolidaria com a eleição de uma nova Mesa, prevista para esta quarta-feira. Já havia até chapa formada: Idinaldo Cardoso (Dunga), presidente, Mauricélio Fernandes, 1º vice-presidente, George Melo, 2º vice-presidente, Josiel Vanderlei, 1º secretário, Rosival Soares, 2º secretário, e Chico Doido, 3º secretário.

De posse de uma liminar expedida pelo juiz plantonista César Henrique Alves, Braz Behnck conseguiu se manter no poder até a próxima semana. Numa manhã tumultuada, em que a sessão foi aberta e encerrada, consecutivamente, por três vezes, Braz convocou a eleição para os cargos vagos para a próxima terça-feira (13).

Enquanto isso, os vereadores revoltosos foram à Polícia Federal denunciar atropelos ao Regimento Interno da Câmara, supostamente cometidos por Braz Behnck e a vereadora Lourdes Pinheiro (PSB), e o juiz César Henrique Alves por ter emitido uma liminar que eles consideram de valor jurídico duvidoso.

Esse imbróglio terá desdobramentos até a próxima semana. Mas o que quero questionar aqui é: qual seria a real motivação desse surto de dignidade que tomou conta dos vereadores revoltosos? Seria mesmo o bem-estar da população de Boa Vista? De um e de outro lado sobram acusações de todos os tipos.

É bom nunca esquecer que mais cedo ou mais tarde a verdade vem à toda. Quem estiver mentindo será flagrado com as calças na mão. E ficará em total descrédito, principalmente depois dos episódios deprimentes regados a falta de respeito que tomou conta do Plenário da Câmara de Vereadores desde terça-feira (6).

Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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