Agricultura orgânica, uma revolução do bem

By Luiz Valério segunda-feira, 7 de março de 2011
Depois de sofrer com problemas de saúde, Geoedvan trocou a agricultura convencional pela orgânica

Hoje saí em busca de uma boa história de produtores rurais para contar. Fui visitar as chácaras de dois agricultores que trocaram a agricultura convencional por técnicas da agricultura orgânica. Trata-se de Geoedvan Rocha e Canindé Bessa, que depois de enfrentarem dissabores, prejuízos financeiros e problemas de saúde devido ao uso indiscriminado de agrotóxicos tiveram que mudar de vida se não quisessem sucumbir pelo efeito do veneno.

Geoedvan cultiva 900 metros quadrados de hortaliças e mais macaxeira, limão e maracujá em outra área anexa. Uma belezura de se ver. Lá tudo funciona em harmonia. Os bodes comem as ervas daninhas. As galinhas devoram a bicadas as lagartas. As formigas comem as “paquinhas” que ameaçavam os pés de alface, os pássaros colaboram comendo outros insetos e assim a cadeia alimentar vai se processando naturalmente sem a interferência humana. Conheci até o bode Jorjão, que é o rei do pedaço na Chácara Copaíba, de Geoedvan, localizada no Jardim das Copaíbas.

Nas chácaras de Geoedvan e Canindé – a deste último fica na região do Monte Cristo - esterco e urina de bode e boi viram repelentes naturais de pragas e fertilizante para a plantação.

O mesmo esterco, misturado com palha de arroz, pó de rocha, capim, folhas secas, cinza de padaria e lixo orgânico recolhido na cidade é transformado em compostagem – o adubo orgânico que ajuda a turbinar a produção de tomate, cheiro verde, cebolinha, pimentão, couve, alface, rúcula, macaxeira, pimenta, banana, limão e maracujá.


Na Chácara Copaíba conheci o bode Jorjão, o dono do pedaço. Ele come as ervas daninha junto com seus "irmãos" e filhos

Até a fumaça é reaproveitada numa técnica desenvolvida por Geoedvan, que construiu um forno onde a fumaça se transforma em vapor d’água que vira repelente e também fertilizando.

Geoedvan, além de ter incrementado a renda familiar que praticamente triplicou, ainda conseguiu se livrar de graves problemas de saúde. Ele estava sofrendo com problema respiratório e de pele, além de ter causado desequilíbrio biológico em sua propriedade.

Na propriedade de seu Canindé, até os dejetos humanos são reciclados e a água resultante vai para a lavoura
 A situação não era diferente na chácara de Canindé Bessa. Este, ficou desesperado quando viu as pragas ganhar “super-poderes” por causa do uso abusivo de agrotóxicos e devastarem toda a sua plantação. Agora, pelo método de cultivo orgânico, os problemas foram reduzidos quase a zero e seu Canindé é só satisfação.

Depois de aprenderem as técnicas de agricultura orgânica num curso de cerca de três anos, ofertado pelo SEBRAE, os dois produtores viram sua vida mudar. Agora vêem seus produtos disputados por clientes exigentes numa feirinha que realizam todos os sábados, na Praça do Caçari, aqui em Boa Vista (RR).


Para se ter uma idéia de como a coisa funciona, Geoedvan diz que vende por R$ 2,00 um pé de alface orgânica que, produzido pelo modo convencional, é comercializado a R$ 0,25 em outros lugares. Já Canindé conseguiu suprimir os hormônios da ração das galinhas e vende frango e ovos por um preço bem mais lucrativo. Também leva leite, tomate e banana para a feira.

E cá estou eu, provando das bananas produzidas com técnicas da agricultura orgânica
 Uma revolução de verdade na vida desses dois.

Escrevi uma matéria de duas páginas sobre esse assunto.

Até eu fiquei empolgado para aprender as técnicas. A harmonia com a natureza é contagiante.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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