Ribeirinhas são multadas em mais de R$ 8 milhões

By Luiz Valério terça-feira, 1 de março de 2011
Por portar 119 ovos de quelônios Adiles Bueno foi multada em R$ 610 mil
Flagrada por um fiscal do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) com 33 ovos de tracajá cozidos e mais 89 ovos de tartaruga da Amazônia, cujo destino era servir de alimento para seus filhos e sobrinha famintos, a dona de casa Adiles Bueno de Almeida foi multada em R$ 610 mil, no município de Caracaraí. A mulher havia trocado os ovos por peixes, na região do Baixo Rio Branco, e acabou sendo penalizada por crime ambiental. Agora Adiles Bueno tenta reduzir o valor da multa na justiça.
O assunto foi levantado ontem, em audiência realizada na Assembleia Legislativa de Roraima, pelo deptuado estadual Joaquim Ruiz, que considera a multa um absurdo. Ele entende que uma pessoa que está com fome não pode ser penalizada por buscar meios para saciá-la.
A dona de casa só foi descobrir o valor da multa quando tentou quitar o débito junto ao Banco do Brasil. Crente que o valor era de apenas R$ 61,00 Adiles Bueno aceitou a penalidade aplicada pelo IBAMA e se dirigiu para a agência bancária para pagar a multa. Só então ficou sabendo que fora multada numa pequena fortuna. Seiscentos e dez reais era o valor que deveria pagar.
“Uma mulher simples como esta vai passar o resto da vida pagando o parcelamento de uma multa deste valor e nunca vai terminar de pagar. É capaz dela morrer e continuar pagando lá do céu”, ironizou Ruiz. Mas esse não é o único caso de multa com valor alto por cometimento de crime eleitoral.
Outra mulher também da região do Baixo Rio Branco foi flagrada com 1.840 ovos de tartaruga e recebeu multa de R$ 7,4 milhões. É que a legislação ambiental estipula o valor de R$ 500,00 para cada ovo de quelônio apreendido, conforme explicou Nilva Baraúna, superintendente do IBAMA.
Nilva diz que principalmente nesse segundo caso ficou flagrante o cometimento de crime ambiental, pois ninguém iria consumir 1.840 ovos de quelônio. A superintendente do Ibama diz que a legislação ambiental é severa com que interrompe o ciclo reprodutivo de espécies como quelônios. Nilva diz que apesar dos valores serem altos é o que está determinado na lei e o servidor do IBAMA que flagrar crimes do tipo e não aplicar o que diz a legislação pode responder criminalmente por prevaricação.

Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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