Índio quer tecnologia

By Luiz Valério terça-feira, 19 de abril de 2011
Em Roraima os índios fazem uso das novas tecnologias, acessam internet e tem perfil no Orkut - Imagem: Bahia Notícias

Faz algum tempo que fui à comunidade do Surumu, região da Raposa Serra do Sol, para acompanhar, como jornalista, a reação dos índios e não índios sobre a decisão do governo Lula acerca da homologação daquela reserva indígena em área única. Assunto muito polêmico por aqui naquele período. Depois do acidente ocorrido comigo e com a colega jornalista, Cyneida Correia, que quase nos tira a vida na estrada carroçável que dá na vila, eis que encontro um lugar que parecia remoto, mas onde a tecnologia já mostrava a sua força.
Enquanto na cidade de Boa Vista e conexão à rede mundial de computadores era – ainda é – sofrível, na Vila Surumu, no meio do nada, indiozinhos se conectavam à internet com a maior facilidade. Graças a uma antena Gsac, disponibilizada pelo governo federal. Foi no laboratório de informática da Escola Padre José de Anchieta, que era “abastecida” pela conexão de boa qualidade, que mandei fotos e atualizei meu blog. E, enquanto fazia isso, fiquei observando a desenvoltura dos jovens índios atualizando seus perfis no Orkut, postando fotos a todo o momento.
Há cerca de um mês, durante a Assembleia Geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), também no Surumu, nova cena comprovou que os índios roraimenses não querem mais viver isolados. Já vai longe o tempo em que a agricultura de subsistência era tudo o que preenchia o passar dos dias desses povos ancestrais. Os índios mais jovens têm mais desenvoltura com equipamentos de informática do que alguns não índios. Nessa assembleia do CIR foi curiosos ver que cada índio que participava da reunião fazia anotações não e blocos ou folhas de papel. Eles digitavam suas impressões e anotações sobre o evento em net books de última geração. Cada um com o seu.
Fico pensando em como o resto do Brasil está enganado sobre Roraima. Nos últimos anos tenho viajado muito, ido a vários estados brasileiros. E sempre que digo que moro em Roraima, recebo de volta indagações do tipo: como é lá? Os índios ainda andam nus nas ruas? Tem jacaré andando nas calçadas? Claro que estou exagerando um pouco. Mas muitas pessoas ainda pensam que os índios roraimenses vivem como há muitos anos atrás sem acesso aos meios de informação, às novas tecnologias. Basta andar pelas vicinais, nos mais longínquos lugarejos, para vermos em cada casa uma antena parabólica.
É meu amigo. As coisas mudaram. Índio não quer mais apito. Índio não quer mais espelho. Índio quer tecnologia e acesso aos bens de consumo. Índio quer integração total com esse Brasil que um dia foi só dos seus antepassados.

Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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