A quem interessa a redivisão do Brasil?

By Luiz Valério sexta-feira, 27 de maio de 2011
Meus @migos,

A redivisão do território brasileiro voltou à baila no Congresso Nacional nos últimos dias, quando a Câmara dos Deputados aprovou e enviou à promulgação o projeto (PDS 52/07), no qual convoca o plebiscito sobre a criação do Estado do Carajás.

Para apimentar ainda mais o debate, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou o Substitutivo do projeto (PDS 19/99), de autoria do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB), que propõe a realização de consulta popular sobre a criação do Estado de Tapajós.

Dessa forma, é bem possível que dentro de pouco tempo o Brasil passe a ter duas novas unidades federadas, elevando o total dos atuais 26 estados para 27 mais o Distrito Federal.

Imagem reproduzida da Agência Senado

Um dos argumentos utilizados pelos defensores da redivisão territorial é que muitas falhas na administração do estado devem-se justamente à sua grandeza territorial. Aliás, esse é o principal argumento utilizado também pelo senador Mozarildo para a sua proposta de criação do Estado de Tapajós.

Mas há os críticos dessa visão, como é o caso dos senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Jorge Viana (PT-AC). Esses dois parlamentares têm dito, como contra-argumento, que a criação de novos estados vai resultar no aumento do gasto público com novas estruturas administrativas e a eleição de parlamentares. E isso é verdade.

É verdade também que o Brasil vive um momento positivo, de crescimento econômico e, como argumentam os críticos da proposta de redivisão territorial do Brasil, é preciso ter muito cuidado para não se criar despesas desnecessárias que possam resultar em problemas futuros para o país.

A criação de novos estados significará aumentar despesas com o pagamento dos membros dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário -, além de requerer investimentos na criação das condições para a estrutura e funcionamento institucional das novas unidades federadas.

A situação é parecida com a que Roraima vive nos dias atuais, quando os deputados querem criar novos municípios, alegando a dificuldade que o estado de atender à população que mora nas comunidades mais isoladas, como é o caso do baixo Rio Branco.

Essas são medidas que me parecem ter mais pontos negativos do que positivos. Mas, como os políticos envolvidos nesses processos vislumbram a possibilidade de criarem mais cargos políticos dos quais poderão de beneficiar, é bem provável que essas propostas sejam aprovadas. E logo.

PS - Este comentário foi escrito para a coluna Política S/A, que mantenho no site Roraima em Foco.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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