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Parima procura empresários para falar sobre possível candidatura ao governo

By Luiz Valério → sexta-feira, 30 de junho de 2017
O empresário Antônio Parima na foto com o líder do governo, deputado Brito Bezerra
Uma liderança empresarial de Roraima contou, em conversa informal com este blogueiro, ter recebido a visita do empresário do ramo de distribuição e atacado Antônio Parima, que se apresentou como pré-candidato ao Governo de Roraima. Foi uma primeira sondagem sobre a possibilidade de uma candidatura sua ao Palácio Senador Hélio Campos.

Parima estaria empolgado com o efeito João Dória, de São Paulo, já cotado como pré-candidato tucano à Presidência da República, e ao que aprece pretende arregimentar o empresariado local para hipotecar apoio à sua pretensão de disputar o governo estadual.

Registre-se que Parima foi o principal financiador da campanha de Suely Campos ao governo em 2014. Diante dos desacertos do governo, agora quer ele próprio disputar a cadeira de mandatário maior do estado, no Palácio Senador Hélio Campos.

A questão é que classe empresarial roraimense está ressabiada com empresários que se apresentam como candidatos a cargos públicos e depois a esquecem.

O caso mais emblemático citado por esta liderança que conversou com o blog é o do próprio Neudo Campos, que saiu do seio da classe empresarial nos anos 1990 e se fez governador de Roraima com a ajuda dos seus iguais, mas depois que virou político esqueceu das promessas feitas. Foi o que disse o empresário.

Sempre atuando nos bastidores como o homem do dinheiro, Antônio Parima agora quer atrair os holofotes da campanha para si. Resta saber se os empresários vão encampar mais esse projeto de poder. O mote da conversa com a liderança que falou ao blog é que é chegada a hora de os empresários se unirem para assumir a administração estadual. Chega de políticos no poder!

Depois do impacto inicial da eleição de João Dória em São Paulo, suas ações erráticas e suas idas e vindas deixam dúvidas quanto à capacidade administrativa de empresários na seara política. Hoje mesmo os números mostram que a rejeição do prefeito paulistano deu um salto de maio para junho, saindo de 39% para impressionantes 52%, segundo o Instituto Ipsos.

Vamos aguardar para ver os próximos movimentos do empresário roraimense em busca de se consolidar como candidato ao governo em 2018.

Chuva prejudica manifestações contra reformas de Temer em Boa Vista

By Luiz Valério →

Esta sexta-feira (30) é dia de paralisação contra as reformas trabalhista e previdenciária em várias capitais brasileiras. Aqui em Boa Vista, centrais sindicais passaram a semana convocando os trabalhadores para participar da manifestação, mas a chuva que cai desde as primeiras horas da manhã prejudicou o movimento, que contou com a presença de poucas pessoas.

Mesmo assim, alguns manifestantes saíram às ruas e bloquearam duas avenidas da cidade. Um dos bloqueios foi feito na Avenida Venezuela, próximo ao Campus Paricarana da Universidade Federal de Roraima (UFRR). O outro aconteceu na Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes. As duas avenidas foram fechadas pelos manifestantes por volta das 6h.

O fechamento das avenidas deixou o trânsito lento e provocaram engarrafamento. Por volta das 10h, os manifestantes se deslocaram para a Praça do Centro Cívico em carreata. Conforme informações obtidas pelo blog, a chuva fez com que o número de pessoas reduzisse ainda mais. Poucos sindicalistas permaneceram na rua sob chuva, no centro administrativo da cidade.

Uma leitura do posicionamento da imprensa a respeito da denúncia contra Temer

By Luiz Valério → quarta-feira, 28 de junho de 2017


A chamada grande imprensa brasileira está dividida quanto ao teor da denúncia apresentada na segunda-feira (26) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, acusado de corrupção. Para parte da imprensa (Estadão) a denúncia de Janot é “não acrescenta nada ao que já havia sido tornado público com o vazamento da delação de Joesley” enquanto para outra parte (O GLOBO) “as provas sustentam uma denúncia sólida”.

Os artigos e editoriais dos ‘jornalões’ brasileiros mostram bem a divisão de opiniões e o posicionamento político de cada um deles. O Estado de São Paulo, por exemplo, demonstra ser favorável à permanência de Temer no cargo e tenta minizar a denúncia de Janot.

Articulistas de O GLOBO preveem a queda de Temer dentro de muito pouco tempo. O Estadão, pelo que se depreende dos seus editoriais, querem sua continuidade no cargo.

Para o Estadão, a denúncia do procurador-geral é “inepta”. Segue um trecho do editorial do jornal paulistano desta quarta-feira (28): “O resultado do generoso prêmio dado ao empresário Joesley Batista por sua delação envolvendo o presidente Michel Temer é uma denúncia inepta”.

o jornal O GLOBO tem sido o mais crítico ao governo Temer e o principal veículo brasileiro a publicar denúncias contra o presidente. Foi o jornal carioca quem primeiro publicou as gravações da conversa de Joesley Batista que culminaram na denúncia contra Temer: Diz O GLOBO: “Somadas, as provas sustentam uma denúncia sólida contra Temer.”

Por sua vez, a Folha de São Paulo em edutorial intitulado "A agonia de Temer" diz que “Se não acrescentou ao caso elementos essenciais que já não pertencessem ao conhecimento público, a denúncia formulada contra o presidente ampara-se em fatos graves o bastante para desacreditar o governo”. Sim, fatos graves. Gravíssimos. Em qualquer país de políticos sérios, Temer já teria renunciado, assim como os políticos denunciados pela Lava Jato estariam presos.

Mas enquanto a imprensa se posiciona, quem ainda se mantém apática é a população que assiste a esse mar de denúncias com cara de paisagem sem se manifestar. Enquanto isso, a vida política nacional segue ‘surfando’ na sua onda lamacenta de corrupção.

UBER em Boa Vista e a nova economia. O mundo já mudou!

By Luiz Valério → segunda-feira, 26 de junho de 2017

Enfim, a discussão em torno da nova economia movida à base de tecnologia chegou a Roraima junto com o UBER, o aplicativo de mobilidade. Depois de provocar polêmicas, discussões e atos de violência de taxistas contra motoristas associados ao aplicativo nos grandes centros do Brasil e do mundo, o UBER aportou em Roraima e por aqui também causa alvoroço em que tem os pés fincados na velha economia.

Taxistas convencionais e de táxi lotação decidiram fazer propaganda espontânea para o aplicativo de mobilidade nesta segunda-feira (26) ao deflagrarem uma greve sem sentido. Queriam, com o movimento, obter um posicionamento da Prefeitura de Boa Vista quanto a uma possível proibição à operação do UBER nessa terra Macuxi.

Os taxistas se deram muito mal no seu intento, pois além de receberem como resposta que a prefeitura nada pode fazer, o movimento ainda resultou em publicidade gratuita para a empresa de tecnologia, que viu suas corridas aumentarem exponencialmente pela manhã.

Uma coisa as pessoas – e aqui me refiro a todos os que vendem produtos e serviços – precisam entender: o mundo mudou e junto com ele a economia e a cabeça das pessoas. Todos queremos facilidade e comodidade. E a tecnologia nos proporciona isso em quase todos os aspectos da nossa vida.

Com a abundância de alternativas e possibilidades que temos à disposição, na ponta dos dedos, para comprar, consumir e atender às nossas necessidades, quem vai ficar refém de serviços ruins, prestados por gente desqualificada (há as exceções) que só enxerga os clientes como números em seus bolsos? Quem, em sã consciência, podendo pagar menos para andar de UBER vai pagar muito mais caro para pegar um táxi. A resposta: NIN-GUÉM!

Sou usuário do serviço de táxi de Boa Vista – tanto lotação quanto convencional – há anos e já me deparei com diversas situações de desrespeito aos passageiros. Taxistas que se recusam a fazer determinadas rotas, motoristas de lotação que só querem ir para as rotas mais lucrativas, deixando pessoas jogas à esmo no sol e na chuva. Isso sem falar nos preços exorbitantes cobrados pelos taxistas convencionais.

É bem verdade que no mar de ignorância que parece reinar no mundo dos taxistas tem algumas “ilhas” de educação e bom senso. Pessoas que seriam excelentes profissionais em qualquer outro ramo. Mas a sensação que temos é que uma maioria composta de bárbaros decidiu ganhar a vida atrás do volante. E o pior: essa gente pensa que as ruas da cidade lhes pertencem. Por isso dirigem como se fossem os donos do pedaço. Muitos não respeitam faixas de pedestre nem ciclistas nem os outros motoristas.

Posso estar errado, mas não tardará para que o debate em torno da proibição do UBER em Roraima chegue às casas legislativas, como Câmara Municipal e Assembleia. Isso porque os presidentes de associações que representam essas categorias se deixam usar por políticos e até servem como transportadores de dinheiro para compra de votos em período eleitoral. Em contrapartida, os políticos são sempre solícitos em atender aos pleitos destes. Uma mão lavando a outra em águas turvas.

Ainda sobre esse assunto, faço um parêntese longo:

(Em 2014 foi assim. Teve motorista de lotação reclamando que determinado de que o presidente do seu sindicato recebeu uma grana preta de determinado candidato a deputado estadual, hoje enrolado com denúncias de corrupção. O dinheiro deveria ter sito rateado entre os taxistas para fazer transporte de eleitores, mas os espertos não repassaram o dinheiro para os colegas. Mas isso é outra história.)

Por outro lado, em legislaturas passadas na Câmara de Vereadores da capital tinha parlamentar que era dono de frota de táxi lotação. A relação muitas vezes promíscua entre esses prestadores de serviço e os políticos é muito forte pelas bandas de cá. Essa é uma caixa preta que precisa ser mexida pelos órgãos fiscalizadores.

Mas o fato é que o avanço tecnológico da sociedade vai superar esse embate inicial em torno da regulamentação do UBER. Tem sido assim em várias cidades do Brasil. Os próprios taxistas já fazem uso de aplicativos para celular como 99 Taxi e Easy para se livrar do pagamento mensal às antigas centrais de rádio-táxi. Eu conheço vários em Boa Vista que usam esses aplicativos. Porque, então, se insurgir contra o UBER. Ele é apenas mais uma facilidade que a tecnologia coloca à disposição dos usuários.

Para finalizar, faço minhas as palavras de Rafael Milani Medeiros, mestre em Gestão Urbana pela PUCPR:

O poder público deve utilizar o contexto para atender ao interesse público. Se por um lado o serviço [UBER] precisa ser regulamentado para garantir segurança aos usuários e parâmetros de remuneração e proteção ao trabalhador do volante, a burocracia envolvida nas permissões de táxi vem sendo usada como instrumento de protecionismo a determinados empresários do setor, que compram, concentram, vendem e alugam ilegalmente – à margem do regulamento, portanto – as permissões de táxi. Não trabalham na atividade, apenas auferem lucros por deter os meios.

E viva a nova economia!

R$ 5 milhões são gastos em dois arraiais, quando se poderia fazer um apenas um mega-evento

By Luiz Valério → sábado, 24 de junho de 2017

Roraima tem algumas características que beiram a insanidade. A maior parte delas marcam a vida política local. Estado com uma população de pouco mais de 500 mil habitantes, somos o único do Brasil a promover duas grandes festas juninas com dinheiro público em sua capital dentro de um mesmo mês, saturando a economia voltada para o segmento.

Mal termina o Boa Vista Junina, ‘vendido’ pela Prefeitura de Boa Vista como o maior arraial da Amazônia, começa o festejo promovido pelo Governo do Estado. É exatamente neste sábado (24) que começa o Arraial do Anauá, no qual o governo roraimense faz um investimento aproximado de R$ 3,5 milhões.

O objetivo nada modesto é atrair um público em torno de 20 mil pessoas por noite, cerca de 200 mil no total e movimentar até R$ 10 milhões. Não há dúvidas que se trata de uma festa bonita.

Eu considero totalmente questionável a necessidade de se fazer duas festas idênticas, gastando dinheiro público em dobro, quando governo e prefeitura poderiam se dar as mãos e realizarem juntas uma festa ainda mais grandiosa.

Eu sei, eu sei... Vão dizer que os grupos políticos à frente do Executivo municipal e estadual são como água e óleo e não se misturam. Mas não deveria ser assim. Pelo menos no que tange à economia dos recursos públicos.

Pelo menos na hora de racionar os parcos recursos, já que vivemos uma crise econômica, o ego inflado e a briga insana pelo poder deveria dar uma trégua. O povo certamente apreciaria essa parceria cidadã para a promoção de uma única e grandiosa festa.

Mas não. A Prefeitura de Boa Vista gastou R$ 1,5 milhão para realizar seu festejo, repassando R$ 540 mil para as 24 quadrilhas que se apresentaram durante seu evento. Agora vem o Governo de Roraima e vai gastar (ou investir, como queiram) mais três milhões e meio.

Com metade desses cinco milhões gastos pelas duas esferas de governo e a junção de força e logística por estado e município seria possível fazer uma super-mega-power festa junina e ainda se economizaria bastante dinheiro.

As querelas e picuinhas políticas, além de nos enjoar o estômago, ainda custam caro demais para o contribuinte. Porque o dinheiro gasto nesses eventos, na verdade, não é nem do governo nem da prefeitura. É nosso dinheiro. Tudo o que é gasto sai do nosso bolso, enquanto contribuintes.

O valor investido pela Prefeitura de Campina Grande para fazer o “Maior São João do Mundo”, por exemplo, é de “apenas” R$ 3 milhões. Ressalte-se que, ao contrário da economia insipiente de Roraima e de Boa Vista, a cidade paraibana é um dos principais polos industriais da Região Nordeste e um dos maiores polos tecnológicos da América Latina.

Este ano a festa paraibana é realizada numa parceria público privada que vai resultar numa economia de R$ 5 milhões para o poder público local. Isso para financiar 31 dias de festa. Mas por aqui os gastos só aumentam.

Expansão da ALC pode resultar em mais desenvolvimento para Roraima

By Luiz Valério → segunda-feira, 19 de junho de 2017

Faz anos que os políticos roraimenses falam da necessidade de um projeto de desenvolvimento para Roraima. No entanto, pouco tem sido feito de concreto no sentido de se sair do discurso à prática.

Hoje, mais uma vez, um político dos mais influentes do estado, o deputado Mecias de Jesus (PRB), retoma o debate afirmando que “sem um projeto de desenvolvimento, Roraima será em breve um dos estados mais pobres do Brasil”.

Penso que na afirmação de Mecias só tem uma incorreção. É a questão temporal. Dada à falta deste propalado projeto de desenvolvimento, Roraima, faz tempo, já é um dos estados mais pobres do País. Não tem peso nenhum na economia nacional.

Para tentar evitar que sua “profecia” se concretize, Mecias defende a indicação que fez ao deputado federal Johnatan de Jesus (PRB) - foto acima - para que apresente projeto de lei expandindo a Área de Livre Comércio (ALC), aos municípios do cinturão metropolitano de Boa Vista.

Não há dúvidas que a indicação feita pelo deputado Mecias de Jesus é oportuna e pode minimizar muitos dos problemas que entravam o desenvolvimento econômico local. Os empresários locais precisam de incentivos para que possam produzir e gerar emprego. E um dos meios para possibilitar essa alavancagem pode ser exatamente a ALC.

Agora, uma coisa é certa também. É preciso que a classe política roraimense deixe de defender apenas seus interesses momentâneos e passe a trabalhar mais pelo bem coletivo. Um esforço conjunto para viabilizar a concretização da indicação de Mecias seria um bom começo. É preciso deixar de trabalhar apenas com os olhos voltados para a próxima eleição.

E que surjam outros projetos e indicações que vislumbrem um futuro melhor para Roraima e sua população. Do contrário, continuaremos lamentando a pobreza do estado pelas próximas décadas.



Vai começar o embate político em torno do impeachment de Suely Campos

By Luiz Valério → sexta-feira, 16 de junho de 2017

Na próxima semana, um verdadeiro embate político vai começar na Assembleia Legislativa de Roraima em torno do pedido de impeachment da governadora Suely Campos (PP), proposto pelo deputado Jorge Everton (PMDB) no relatório final da CPI do Sistema Prisional.

É fato que o sistema penitenciário está um caos e que o estado deve ser responsabilizado pela tragédia ocorrida em janeiro, quando cerca de 40 presos morreram esquartejados e decapitados por membros de facções criminosas. Mas também é fato que essa realidade dantesca vem sendo fomentada há muitos governos, que nunca deram a devida atenção ao sistema prisional.

Aliás, os próprios deputados que hoje querem apear Suely Campos do poder têm certa dose de responsabilidade. Desde o governo de José de Anchieta, quantos milhões os parlamentares que criticam o caos no sistema prisional destinaram para melhorar as condições da Penitenciária Agrícola do Monte Cristo, por exemplo?

Muitas foram as visitas para “ver de perto as condições” em que os presos são confinados, sem o mínimo de dignidade, e pouco ou nenhum dinheiro foi colocado no Orçamento Anual para sanar os problemas.

As licitações para a contratação do serviço de fornecimento da alimentação destinada aos detentos não eram menos problemáticas e direcionadas do que são agora. O problema é que as pessoas beneficiadas mudaram e isso causa incômodo a quem detinha a primazia de se beneficiar dos contratos.

Claro que as soluções para os problemas existentes no sistema prisional têm que ser buscadas, mas não se pode usar de dois pesos e duas medidas. Esses problemas são tão antigos quanto a miopia programada dos membros do G14 ou G15.

A questão é que querem fazer o impeachment de Suely e não será difícil que o consigam, pela fraqueza política da própria governadora e pela falta de união e de uma estratégia inteligente da bancada governista.

Suely está prestes a passar pelo mesmo embaraço porque passou Dilma Rousseff em âmbito nacional. E as motivações para o seu impeachment, aqui, assim como em Brasília, andam longe de ser republicanas.

Vamos guardar para conferir em que bases vai se dar esse embate.

O que você pensa a esse respeito? Deixe o seu comentário.