R$ 5 milhões são gastos em dois arraiais, quando se poderia fazer um apenas um mega-evento

By Luiz Valério sábado, 24 de junho de 2017

Roraima tem algumas características que beiram a insanidade. A maior parte delas marcam a vida política local. Estado com uma população de pouco mais de 500 mil habitantes, somos o único do Brasil a promover duas grandes festas juninas com dinheiro público em sua capital dentro de um mesmo mês, saturando a economia voltada para o segmento.

Mal termina o Boa Vista Junina, ‘vendido’ pela Prefeitura de Boa Vista como o maior arraial da Amazônia, começa o festejo promovido pelo Governo do Estado. É exatamente neste sábado (24) que começa o Arraial do Anauá, no qual o governo roraimense faz um investimento aproximado de R$ 3,5 milhões.

O objetivo nada modesto é atrair um público em torno de 20 mil pessoas por noite, cerca de 200 mil no total e movimentar até R$ 10 milhões. Não há dúvidas que se trata de uma festa bonita.

Eu considero totalmente questionável a necessidade de se fazer duas festas idênticas, gastando dinheiro público em dobro, quando governo e prefeitura poderiam se dar as mãos e realizarem juntas uma festa ainda mais grandiosa.

Eu sei, eu sei... Vão dizer que os grupos políticos à frente do Executivo municipal e estadual são como água e óleo e não se misturam. Mas não deveria ser assim. Pelo menos no que tange à economia dos recursos públicos.

Pelo menos na hora de racionar os parcos recursos, já que vivemos uma crise econômica, o ego inflado e a briga insana pelo poder deveria dar uma trégua. O povo certamente apreciaria essa parceria cidadã para a promoção de uma única e grandiosa festa.

Mas não. A Prefeitura de Boa Vista gastou R$ 1,5 milhão para realizar seu festejo, repassando R$ 540 mil para as 24 quadrilhas que se apresentaram durante seu evento. Agora vem o Governo de Roraima e vai gastar (ou investir, como queiram) mais três milhões e meio.

Com metade desses cinco milhões gastos pelas duas esferas de governo e a junção de força e logística por estado e município seria possível fazer uma super-mega-power festa junina e ainda se economizaria bastante dinheiro.

As querelas e picuinhas políticas, além de nos enjoar o estômago, ainda custam caro demais para o contribuinte. Porque o dinheiro gasto nesses eventos, na verdade, não é nem do governo nem da prefeitura. É nosso dinheiro. Tudo o que é gasto sai do nosso bolso, enquanto contribuintes.

O valor investido pela Prefeitura de Campina Grande para fazer o “Maior São João do Mundo”, por exemplo, é de “apenas” R$ 3 milhões. Ressalte-se que, ao contrário da economia insipiente de Roraima e de Boa Vista, a cidade paraibana é um dos principais polos industriais da Região Nordeste e um dos maiores polos tecnológicos da América Latina.

Este ano a festa paraibana é realizada numa parceria público privada que vai resultar numa economia de R$ 5 milhões para o poder público local. Isso para financiar 31 dias de festa. Mas por aqui os gastos só aumentam.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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