UBER em Boa Vista e a nova economia. O mundo já mudou!

By Luiz Valério segunda-feira, 26 de junho de 2017

Enfim, a discussão em torno da nova economia movida à base de tecnologia chegou a Roraima junto com o UBER, o aplicativo de mobilidade. Depois de provocar polêmicas, discussões e atos de violência de taxistas contra motoristas associados ao aplicativo nos grandes centros do Brasil e do mundo, o UBER aportou em Roraima e por aqui também causa alvoroço em que tem os pés fincados na velha economia.

Taxistas convencionais e de táxi lotação decidiram fazer propaganda espontânea para o aplicativo de mobilidade nesta segunda-feira (26) ao deflagrarem uma greve sem sentido. Queriam, com o movimento, obter um posicionamento da Prefeitura de Boa Vista quanto a uma possível proibição à operação do UBER nessa terra Macuxi.

Os taxistas se deram muito mal no seu intento, pois além de receberem como resposta que a prefeitura nada pode fazer, o movimento ainda resultou em publicidade gratuita para a empresa de tecnologia, que viu suas corridas aumentarem exponencialmente pela manhã.

Uma coisa as pessoas – e aqui me refiro a todos os que vendem produtos e serviços – precisam entender: o mundo mudou e junto com ele a economia e a cabeça das pessoas. Todos queremos facilidade e comodidade. E a tecnologia nos proporciona isso em quase todos os aspectos da nossa vida.

Com a abundância de alternativas e possibilidades que temos à disposição, na ponta dos dedos, para comprar, consumir e atender às nossas necessidades, quem vai ficar refém de serviços ruins, prestados por gente desqualificada (há as exceções) que só enxerga os clientes como números em seus bolsos? Quem, em sã consciência, podendo pagar menos para andar de UBER vai pagar muito mais caro para pegar um táxi. A resposta: NIN-GUÉM!

Sou usuário do serviço de táxi de Boa Vista – tanto lotação quanto convencional – há anos e já me deparei com diversas situações de desrespeito aos passageiros. Taxistas que se recusam a fazer determinadas rotas, motoristas de lotação que só querem ir para as rotas mais lucrativas, deixando pessoas jogas à esmo no sol e na chuva. Isso sem falar nos preços exorbitantes cobrados pelos taxistas convencionais.

É bem verdade que no mar de ignorância que parece reinar no mundo dos taxistas tem algumas “ilhas” de educação e bom senso. Pessoas que seriam excelentes profissionais em qualquer outro ramo. Mas a sensação que temos é que uma maioria composta de bárbaros decidiu ganhar a vida atrás do volante. E o pior: essa gente pensa que as ruas da cidade lhes pertencem. Por isso dirigem como se fossem os donos do pedaço. Muitos não respeitam faixas de pedestre nem ciclistas nem os outros motoristas.

Posso estar errado, mas não tardará para que o debate em torno da proibição do UBER em Roraima chegue às casas legislativas, como Câmara Municipal e Assembleia. Isso porque os presidentes de associações que representam essas categorias se deixam usar por políticos e até servem como transportadores de dinheiro para compra de votos em período eleitoral. Em contrapartida, os políticos são sempre solícitos em atender aos pleitos destes. Uma mão lavando a outra em águas turvas.

Ainda sobre esse assunto, faço um parêntese longo:

(Em 2014 foi assim. Teve motorista de lotação reclamando que determinado de que o presidente do seu sindicato recebeu uma grana preta de determinado candidato a deputado estadual, hoje enrolado com denúncias de corrupção. O dinheiro deveria ter sito rateado entre os taxistas para fazer transporte de eleitores, mas os espertos não repassaram o dinheiro para os colegas. Mas isso é outra história.)

Por outro lado, em legislaturas passadas na Câmara de Vereadores da capital tinha parlamentar que era dono de frota de táxi lotação. A relação muitas vezes promíscua entre esses prestadores de serviço e os políticos é muito forte pelas bandas de cá. Essa é uma caixa preta que precisa ser mexida pelos órgãos fiscalizadores.

Mas o fato é que o avanço tecnológico da sociedade vai superar esse embate inicial em torno da regulamentação do UBER. Tem sido assim em várias cidades do Brasil. Os próprios taxistas já fazem uso de aplicativos para celular como 99 Taxi e Easy para se livrar do pagamento mensal às antigas centrais de rádio-táxi. Eu conheço vários em Boa Vista que usam esses aplicativos. Porque, então, se insurgir contra o UBER. Ele é apenas mais uma facilidade que a tecnologia coloca à disposição dos usuários.

Para finalizar, faço minhas as palavras de Rafael Milani Medeiros, mestre em Gestão Urbana pela PUCPR:

O poder público deve utilizar o contexto para atender ao interesse público. Se por um lado o serviço [UBER] precisa ser regulamentado para garantir segurança aos usuários e parâmetros de remuneração e proteção ao trabalhador do volante, a burocracia envolvida nas permissões de táxi vem sendo usada como instrumento de protecionismo a determinados empresários do setor, que compram, concentram, vendem e alugam ilegalmente – à margem do regulamento, portanto – as permissões de táxi. Não trabalham na atividade, apenas auferem lucros por deter os meios.

E viva a nova economia!

Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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