Projeto forma novas lideranças políticas e incentiva protagonismo juvenil

By Luiz Valério sábado, 1 de julho de 2017

O Brasil vive a maior crise política de toda a sua história, com o presidente da República Michel Temer denunciado por corrupção e grande parte dos representantes políticos mais proeminentes do Congresso Nacional igualmente comprometida e denunciada por participação em esquemas cabulosos. Os políticos brasileiros estão mergulhados na lama da corrupção desvendada pela operação Lava Jato até a medula.

Aqui em Roraima o cenário não é muito diferente. Temos uma situação igualmente preocupante. Passamos pelo vexame de termos um presidente de Assembleia Legislativa presidiário e alvo de mais uma investigação por peculato, junto com outros dois deputados e um ex-parlamentar.

Assistimos também o jogo de empurra-empurra que envolve a governadora Suely Campos (PP) permanentemente sob o risco de sofrer um impeachment, acusada de ocultar irregularidades no sistema prisional. A movimentação em torno do seu impeachment está provisoriamente sob panos quentes, devido a um acordo que se costura nos bastidores.

Temos ainda os vereadores da capital com a credibilidade em baixa e alguns deles sob suspeita de envolvimento com o crime organizado. Tudo isso reforça a tese de que sofremos da mais absoluta falta de lideranças. Falta-nos lideranças verdadeiras.

Diariamente assistimos a uma luta insana pelo poder que só serve aos interesses dos poderosos. O povo, os governados, os eleitores só são notados e procurados em período eleitoral. Mas não deveria ser assim. Afinal, somos nós que pagamos a conta astronômica da manutenção das regalias daqueles que deveriam nos representar, mas só defendem seus próprios interesses.

Mas nem tudo está perdido
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Faz poucos dias conheci um projeto social muito interessante, denominado de Casa Jovem Roraima, cujo objetivo é exatamente formar jovens para serem líderes no futuro. Trata-se de um trabalho embrionário que começou com apenas cinco adolescentes, mas que já conta com a participação de 100 meninos e meninas.

Segundo o idealizador do projeto, Janderson Brito de Souza, a ideia é formar lideranças jovens para atuar nos bairros formando, eles próprios, outros líderes no meio do seu grupo de amizade.

Esses adolescentes assistem a palestras sobre cidadania, protagonismo juvenil, participação política, combate à corrupção, além de cursos de dicção e oratória, línguas (Inglês e Espanhol), preparatório para o ENEM e até culinária.

Para ser admitido no projeto Casa Jovem Roraima, os adolescentes precisam ter a idade mínima de 13 anos e estar na escola. Mas não só isso. Eles precisam ter bom desempenho nos estudos, apresentar boas notas e também ter bom comportamento em casa e no ambiente escolar. Enfim, precisam ser jovens cidadãos desde já.

Alguns desses adolescentes foram resgatados de situações de drogadição. Os idealizadores dizem que a iniciativa também visa à redução de danos, apesar de o foco do projeto não ser a recuperação de jovens com histórico de envolvimento com substâncias tóxicas.

O objetivo é formar novas lideranças

Janderson Brito diz que o objetivo do projeto é despertar o senso crítico nos jovens roraimenses. O projeto em breve começará a ser levado para o interior, com a finalidade de formar lideranças também nos municípios interioranos, a começar pelo sul do estado.


“Nosso objetivo é mostrar para esses jovens que eles precisam se envolver na política, pois o futuro do nosso estado e do Brasil está em suas mãos”, afirma.


Por isso, os jovens são esclarecidos sobre os motivos da tão profunda desigualdade social no Brasil e em Roraima. Debatem sobre os esquemas de corrupção que desviam dinheiro público. “Queremos mostrar para eles os motivos da realidade política que vivemos hoje no Brasil”, observa Janderson Brito.

Segundo ele, o projeto Casa Jovem Roraima é um movimento de mudança de postura da sociedade a partir da juventude. “A ideia é formar dez jovens e que esses dez formem mais dez e depois mais dez, até conseguirmos disseminar uma cultura de politização e cidadania entre muitos jovens do nosso estado”, comenta.


Projeto é autossustentável

A metodologia do projeto envolve, além da oferta de cursos, a realização de reuniões semanais, onde os problemas da comunidade, da cidade, do estado e do país são debatidos. Depois dos encontros os jovens elaboram relatórios contando o que aprenderam e quais mudanças esses debates estão proporcionando em sua vida.


“Nossa ideia é amparar e preparar esses jovens para que eles se empolguem com a possibilidade de uma vida plena e comecem a pensar no futuro”, disse o sociólogo Paulo Racoski, um dos colaboradores e contribuidores do projeto.


Racoski entende ser preciso que a sociedade adote uma postura de combate à corrupção e mudança de paradigma efetiva. “Chega de apatia”, diz ele.

A iniciativa é autossustentável. Depende apenas da colaboração dos próprios idealizadores e colaboradores. No total 30 pessoas contribuem com valores mensais para a manutenção do projeto Casa Jovem Roraima. São os chamados cotistas. Não há a participação de políticos com ou sem mandato. São voluntários que cuidam de todas as atividades.

Iniciativas como essa merecem todo apoio e reconhecimento. Que esse espírito de mudança social seja preservado e que dele saiam jovens conscientes e comprometidos com o bem-estar coletivo. Diferente dos políticos que temos hoje no poder. 
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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