Jalser diz que Cartas Marcadas foi uma operação 'desnecessária'

By Luiz Valério terça-feira, 29 de agosto de 2017
Para Jalser, a operação Cartas Marcadas foi um golpe político para atingi-lo
O deputado Jalser Renier (SD) preparou todo um cenário, convidado correligionários e aliados políticos para lotar o plenário da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (29), para sua primeira aparição pública depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a sentença condenatória que o levou à prisão em outubro do ano passado. Na semana passada, o STF fez de Jalser um homem livre e o retornou à condição de político ficha limpa. Hoje, ele fez um discurso em tom emocionado para dizer que durante todo esse tempo, desde o começo da tramitação do “caso gafanhotos”, tem sido vítima de sucessivas injustiças, pois se considera inocente.

Para Jalser, a operação Cartas Marcadas, deflagrada pelo Grupo de Ações Especiais de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de Roraima (MPRR), que desbaratou um esquema de fraudes em licitações na Assembleia Legislativa, em meados de 2016, não passou de “um golpe político” desferido por adversários para atingi-lo. “A Cartas Marcadas acabou atingindo também famílias tradicionais de Roraima”, afirmou. O deputado disse que a operação que resultou na prisão de servidores do Poder Legislativo, acusados de desviar pelo menos R$ 12 milhões, foi desnecessária. Suas afirmações estão registradas no vídeo postado em sua página no Facebook, reproduzido abaixo neste post.

No discurso desta terça-feira pela manhã, no plenário da Assembleia Legislativa, Jalser apelou para o emocional da plateia, toda ela composta por pessoas mantidas por ele, como servidores comissionados da Assembleia Legislativa ou beneficiadas com cargos e empregos, outras vindas do interior do estado. Havia também vereadores e prefeitos que fazem parte do seu grupo político. As galerias da Assembleia ficaram lotadas. Jalser foi aplaudido em muitos momentos da sua fala.


O presidente da Assembleia disse que depois de chegar ao topo mais alto que um homem público pode almejar, ele desceu ao fundo do poço e foi abandonado pelos amigos. Ao afirmar isso, ele se referia à primeira vez em que, junto com sua mãe Itelvina da Costa Padilha, teve a prisão decretada devido à sua participação no rumoroso “caso gafanhotos”, esquema desbaratado pela Polícia Federal em 2003 por meio do qual se desviou mais de R$ 200 milhões dos cofres do estado com o uso de servidores fantasmas.

“Do dia para a noite eu, que estava no topo, fiquei no fundo do poço, totalmente perdido. Eu e minha mãe ficamos sozinhos numa clausura. Tínhamos poucas visitas, como se tivéssemos uma doença. Depois de 120 dias eu sai dessa clausura e fui buscar de volta meu mandato, uma vez que eu tinha sido o terceiro deputado mais votado do estado”, relembrou. Jalser disse que mesmo nessa situação não conseguia chorar “porque o choro enfraquece a alma”. Demonstrando a forma como ele enxerga o mundo, Jalser afirmou que “ninguém é mais importante do que você mesmo”.

Todo o discurso de Jalser foi nesse tom, buscando sensibilizar seus já muito fieis seguidores. Agora, livre da sentença condenatória e da pecha de presidente presidiário, ele começa a esboçar movimentos mais concretos em busca de se credenciar como pré-candidato ao governo de Roraima. Pelo que se conhece dele, a aposta nessa possibilidade não será baixa. A performance de hoje foi uma demonstração de que ele está disposto a ir em busca da sua grande ambição, que é o Governo do Estado, custe o que custar. Para o bem ou para o mal de Roraima.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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