Deputados voltam do recesso dispostos a colocar governo nas cordas

By Luiz Valério terça-feira, 1 de agosto de 2017
A primeira sessão do semestre foi marcada pela ausência de vários deputados
Como previsto, o início dos trabalhos deste segundos semestre na Assembleia Legislativa foi marcado por debates envolvendo questões sensíveis para o governo. Apesar da ausência de vários deputados, o que levou o deputado Joaquim Ruiz a criticar os colega pela aparente falta de interesse com as coisas que dizem respeito ao estado, a primeira sessão do segundo semestre legislativo já deu o tom do que deve ter os debates naquela Casa nos pròximos meses.

Mortes no HGR, CPI do Sistema Prisional, caos energético, instalação das zonas francas de Bonfim e Pacaraima, afastamento da governadora, criação desnecessária de novas secretarias extraordinárias… Até o concurso da Codesaima, anunciado recentemente pelo governo, foi alvo de críticas. Todos esses assuntos permearam a sessão desta terça-feira.

Alguns dos discursos foram bastante pertinentes, como o do deputado Joaquim Ruiz (PTN), que defendeu projetos eficazes de desenvolvimento regional como as zonas francas dos municípios fronteiriços de Bonfim e Pacaraima. O parlamentar lembrou que já existe decreto do Governo Federal aprovado no Confaz para a implantação dessas zonas e a criação de freeshops em cidades gêmeas (cidades cortadas por linhas de fronteira, como é o caso das duas urbes roraimenses). Cabe agora ao governo estadual regulamentar, por meio de Decreto ou projeto aprovado na Assembleia Legislativa, a isenção de ICMS para incentivar as empresas que queiram se instalar nessas cidades para concretizar o projeto das zonas francas.


Com um teor mais denso se pronunciaram os deputados Jorge Everton (PMDB) e George Melo (PSDC). O peemedebista cobrou o desfecho da CPI do Sistema Prisional. Jorge Everton sugeriu que os relatórios de CPIs são engavetados pela Casa, mas disse que o seu não vai morrer empoeirado no fundo da gaveta. O parlamentar afirmou ter entregue cópias do documento ao Ministério da Justiça (MJ), ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF). Ele afirmou ter constatado fatos gravíssimos no sistema prisional que precisam de uma resposta. O deputado disse que todo o trabalho feito não pode ter sido em vão. Lembrou que ao entregar o relatório final da CPI pediu o afastamento da governadora Suely Campos por estar convicto da sua responsabilidade nas irregularidades encontradas.

Num tom mais de oba-oba, o deputado George Melo, com seu jeito espalhafatoso de falar que não dá para levar muito a sério, culpou o governo pelas mortes no ocorridas no Hospital Geral e insinuou que vai pedir a instalação de uma CPI da Saúde. Em tom de ironia, Jorge Everton disse não ser preciso instalar mais nenhuma CPI da Saúde, pois faz um ano que ele protocolou um pedido de criação de CPI com o mesmo objetivo, mas que, segundo ele, foi engavetado. “Não precisa de outra CPI, basta desengavetar meu requerimento”, afirmou.

Chamou a atenção deste blogueiro a incapacidade da bancada de situação reagir na defesa do governo. Incapacidade ou desinteresse. Quem tentou fracassou, como foi o caso do deputado Gabriel Picanço (PRB), que esboçou fazer um contraponto ao discurso dos colegas, principalmente de Joaquim Ruiz, mas não apresentou argumentos suficientes. Os demais deputados governistas se mantiveram calados na tribuna. Ninguém mais falou nada. Tudo leva a crer que neste semestre legislativo, assim como no anterior, o governo vai ficar sob a mira do G14 (ou G qualquer coisas), que sempre leva assuntos sensíveis para a tribuna.

O governo tentou fortalecer sua base de apoio, mas, ao que parece, até agora não logrou êxito.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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