Jalser promove exoneração em massa de servidores e acirra ânimos na Assembleia

By Luiz Valério quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Jalser Renier exonerou dezenas de servidores comissionados indicados pelos deputados Coronel Chagas, Jânio Xingu, Joaquim Ruiz e Odilon Filho. Ao todo foram publicadas 20 páginas de exonerações no Diário do Poder Legislativo
O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), deputado Jalser Renier (SD), decidiu exonerar todos os servidores comissionados da cota dos deputados Jânio Xingu, Coronel Chagas, Joaquim Ruiz e Odilon Filho que abandonaram o ex-G14, grupo de oposição ao governo liderado por ele, para aderir à base do governista na Casa. A exoneração em massa foi uma represália à decisão dos parlamentares de mudarem de lado.

Um dia após o anúncio da adesão dos quatro deputados ao governo, Jalser disse que esse era um caminho sem volta. O presidente do Legislativo estadual afirmou ainda que a partir dali as portas e janelas da Assembleia estavam fechadas. Dito e feito. De uma canetada só ele indispôs os quatro parlamentares agora adeptos do governo com todos os seus seguidores empregados no Poder Legislativo.

O clima era bastante tenso na Assembleia Legislativa hoje na manhã desta segunda-feira (12). Diante do desconforto causado pelas exonerações, muitos deputados deixaram de comparecer em plenário para participar da sessão ordinária desta terça-feira (12), o que inviabilizou a realização da reunião. Dessa forma, a sessão foi aberta e encerrada por Jalser por falta de quorum.

O Diário do Poder Legislativo, publicação oficial onde saem os atos administrativos da Mesa Diretora da Casa, em sua edição de número 2601, saiu com nada menos do que 20 páginas de decretos de exoneração. De uma canetada só, Jalser dispensou centenas de servidores comissionados que foram distribuídos entre os deputados que lhe garantiram a eleição como presidente da Casa. Agora, diante da dissidência dos ex-aliados, foi todo mundo para o olho da rua.

Os servidores que perderam o emprego comissionado ficaram correndo da sala para a cozinha, pois a exoneração em massa pegou a todos de surpresa, ainda que fosse uma ameaça plenamente tangível, principalmente depois de Jalser ter dito que para os dissidentes as portas e janelas da Casa estavam fechadas. O senha para o que estava preste a acontecer estava dada.

Os quatro parlamentares que foram alvo da tesoura afiada de Jalser se reuniram na sala da vice-presidência, sob o comando do deputado Coronel Chagas, buscando uma solução para o abacaxi que acabaram de plantar na própria horta. O deputado Jânio Xingu, sempre o mais verborrágico, engrossou o gogó e chegou aos berros na ante sala da Presidência, mas baixou a crista quando Jalser o presidente da Casa se negou a atendê-lo.

Esta terça-feira (13) deverá ser marcada por muitos debates em torno da exoneração em massa feita por Jalser. É possível que a sessão de hoje seja uma das mais barulhentas, caso não haja evasão de deputados num número que impossibilite a realização da reunião, como aconteceu ontem, quando a sessão foi aberta e encerrada rapidamente por falta de quorum.

Uma coisa esse ato de Jalser evidencia: a contratação de centenas de servidores comissionados, causando inchaço na folha de pagamento da Assembleia, teve o objetivo apenas de acomodar eleitores e cabos eleitorais que ajudaram a eleger os deputados que fazem (faziam) parte do grupo do presidente da Casa (como noticiou a revista Veja). Se fossem servidores indispensáveis, eles não teriam sido exonerados aos montes sem se pensar nas possíveis consequências negativas para o andamento dos trabalhos da Casa.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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