Shéridan fala sobre infidelidade partidária e votação da reforma política

By Luiz Valério segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Shéridan prevê que os artigos da PEC da qual é relatora que tratam sobre fidelidade partidária serão suprimidos. Assim, a promiscuidade partidária será mantida na Câmara - Foto: Agência Câmara
A deputada federal Shéridan (PSDB-RR) estampa hoje no site do Estadão uma reportagem sobre a questão da infidelidade partidária e o andamento dos debates em torno da reforma política na Câmara. Os parlamentares da atual legislatura são considerados os mais infiéis dos últimos dez anos.

Desde o ano de 2007, quando o Supremo Tribunal Federal determinou que os mandatos pertencem aos partidos, não a deputados e vereadores, foram feitas nada menos do que 400 trocas partidária. Na prática um em cada quatro deputados já trocou de partido nesse período.

O pior é que a reforma política não deve avançar nesse quesito, pois os deputados não chegam a um consenso sobre a necessidade de se acabar com a promiscuidade partidária.

Tudo indica que eles vão querer continuar vivendo o clima onde ninguém é de ninguém. Assim é mais fácil conseguir benesses e cargos na hora de se negociar uma mudança partidária para atender as conveniências do momento ou para permitir a sobrevivência política de alguns.

Como relatora de um dos projetos que tratam da reforma política, Shéridan acredita que haverá a supressão dos artigos que tratam de fidelidade partidária. Ou seja, os deputados discutem, divergem e debatem para deixar tudo como está.

No entendimento de Shéridan a supressão desses artigos de modo a favorecer os infiéis parlamentares será, um dos poucos consensos na votação do segundo turno de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) da qual é relatora. A votação está prevista para ocorrer na Casa nesta terça-feira.

Em seu relatório, Shéridan propõe que a regra da fidelidade partidária seja estendida para cargos majoritários e seus vices. O texto prevê ainda que o candidato eleito por um partido que não atingir a cláusula de barreira pode mudar de sigla. 

O dispositivo da cláusula de barreira impõe restrições à legenda que não alcançar determinado percentual de votos. Shéridan justificou que a PEC não ficou como ela queria, mas podia ser pior. “Foi a construção política que conseguimos”, afirmou a deputada.

Especialistas na área como os cientistas políticos Murillo Aragão, da Arko Advice, o que existe no Brasil é uma verdadeira “indústria de partidos”. “Troca de partido não é necessariamente um problema, mas não pode ser abusivo. O mundo político desmoraliza os partidos ao permitir a criação de legendas sem orientação programática”, defendeu.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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