Deputados mostram porque somente 7% da população ainda acredita no Congresso

By Luiz Valério quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Rodrigo Maia conduziu a sessão de votação que livrou Temer da segunda denúncia de corrupção feita pela PGR - Foto: Veja
A Câmara dos Deputados deu nesta quarta-feira (25) mais uma demonstração dos motivos pelos quais apenas 7% da população brasileira ainda acredita no Congresso Nacional, conforme pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Como previamente estabelecido no script do compadrio, 251 parlamentares decidiram votar pelo arquivamento da segunda denúncia de corrupção contra o presidente da República Michel Temer (PMDB). Desses, cinco deputados compõem a bancada federal de Roraima que vão precisar explicar essa decisão aos seus eleitores no ano que vem.

Eu assisti a toda a sessão de votação e pude ver, não sem sentir certo asco, a forma descompromissada com que se pratica política em nosso Brasil brasileiro. Muitos foram os deputados que alegaram a melhora nos índices da economia para votar a favor de Temer. Outros, fazendo malabarismos retóricos, quiseram justificar o injustificável buscando desacreditar o acusador - o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot -, e tentando vitimizar o presidente denunciado, que comprou quantos votos pôde para se livrar da denúncia a qualquer custo.

Não sem indignação, todos nós assistimos pela tela da televisão, muitos deputados falarem em moralidade e ética para defender um presidente, cujo partido é o exemplo mais palpável da imoralidade e falta de ética na política. Por outro lado, os 233 deputados que votaram pela admissibilidade da denúncia, ainda que muitos igualmente usando de discurso demagogo, aproveitaram a ocasião para expor as vísceras putrefatas do governo, denunciando o toma-lá-dá-cá e a feira livre de compra de deputados para votar a favor do relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG).

O fato é que ultimamente não dá muito orgulho de ser brasileiro. Nossas instituições se mostram contaminadas pela corrupção em absoluto. Congresso Nacional e Poder Judiciário vivem abraçados num compadrio pernicioso onde quem tem milhões para pagar caras bancas de advogados e influenciar o voto dos magistrados consegue reverter a seu favor processos jurídicos que levaria qualquer outro pé rapado a mofar na cadeia. Nunca a certeza de que vivemos num país onde quem tem dinheiro manda e quem não tem padece dos piores dissabores foi tão intensa.

A classe política brasileira é perdulária e desavergonhada na defesa dos seus interesses. Entre os ocupantes de cargos de poder impera o espírito de corpo, de autopreservação. Pouco importa o que a população vai pensar sobre as decisões que eles equivocadas que eles tomam. Os representados, esse ente abstrato chamado povo, por seu turno se mostra apático e sem forças para reagir ao descalabro estabelecido no País por seus representantes.

Os poderosos de todas as esferas parecem ter feito um grande pacto para se proteger e, dessa forma, viverem encastelado, em suas torres de de marfim, onde a população não tem acesso. Ao povo, pensam esses poderosos, cabe continuar apanhando as migalhas que caem da mesa dos fartos convescotes da elite. Precisamos deixar de votar mal e porcamente a cada dois anos para eleger aqueles que vão continuar nos sacaneando com sua impostura pública cada vez mais vergonhosa e anti republicana.
Luiz Valério

Sou Jornalista e blogueiro. Há 20 anos cubro o mundo político, boa parte desse tempo escrevendo em blogs na Web. Moro em Roraima há 15 anos. Já desenvolvi vários projetos na área do jornalismo. Apaixonado por tecnologia, tenho especialização na Área. Agora nos encontramos por aqui.

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