As mentiras que os candidatos contam – Parte 1

O tempo está corrido diante de tantas tarefas e da disputa eleitoral, tudo junto ao mesmo tempo agora. Por isso tem alguns assuntos que vou comentando com o decorrer do tempo. O tema deste post é a declaração de bens dos candidatos ou, como diz o título, as mentiras que os candidatos contam e a Justiça Eleitoral finge que acredita e deixa passar. Por exemplo: você acredita que o candidato Arthur Henrique tem ZERO bens? De fato, não dá para acreditar.

Mas foi isso que ele declarou à Justiça Eleitoral. Pode um servidor público, vice-prefeito e secretário municipal, que tem uma Remuneração Bruta de R$ 17.000,00 e líquida de R$ 12.677,38 (o que dá uma renda líquida anual de R$ 152.128,56 por ano) dizer que não tem bem nenhum? Foi o que disse Arthur Henrique à Justiça Eleitoral. Se um candidato não diz a verdade agora, vai falar a verdade depois de eleito?

Repito: além de vice-prefeito, o pupilo de Teresa ocupou os cargos de secretário de Tecnologia da Informação e de educação do Município. Mas o Arthurzinho não foi o único a informar inverdades ao TSE. (E ainda tem uma história escabrosa sobre formação(?) na USP que precisa ser esclarecida).

Demonstrativo do salário de agosto do candidato Arthur Henrique (MDB) – Fonte: Portal da Transparência da Prefeitura de Boa Vista

O pobre pupilo do menino de ouro

O empresário e deputado federal Ottaci Nascimento (Solidariedade), candidato de campanha mais rica deste pleito, disse ter bens que somam apenas R$ 48 mil. Vejamos: o salário mensal dos deputados federais é de R$ 33.763, sem se falar nos outros benefícios aos quais os parlamentares têm direito. Segure-se na cadeira e acompanhe:

Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap): o valor depende do estado de cada deputado. Os parlamentares de Roraima recebem a maior: R$ 45.612,53.

Despesas com saúde: os deputados têm atendimento no Departamento Médico da Câmara (Demed) e reembolsados das despesas médico-hospitalares realizadas fora desse departamento. Nada sai do seu bolso.

Cota gráfica: cada deputado tem direito à confecção de material de papelaria oficial (cartões, pastas, papel timbrado e envelopes) e a impressão de documentos e publicações. Ou seja, nada é pago com dinheiro do salário deles.

Ajuda de custo: no início e no fim do mandato, o parlamentar recebe ajuda de custo equivalente ao valor mensal da remuneração. Pasmem para essa informação: “a ajuda é destinada a compensar as despesas com mudança e transporte e não será paga ao suplente que for reconvocado dentro do mesmo mandato”. Fonte: Agência Câmara de Notícias

PS – Para o caro leitor não ficar mais indignado, eu deixei de citar algumas outras vantagens recebidas pelos parlamentares federais. Mas, se você for muito curioso, acesse a página da Câmara dos Deputados que detém essas informações.

Com tantas mordomias e benefícios e sendo empresário, como pode o cidadão vir com essa história de que seus bens somam apenas R$ 48 mil? Você acredita? Vai depositar sua confiança e seu futuro em quem começa mentindo desde a largada?

Meias verdades à esquerda

O candidato do PCO, Wilson Précoma, ex-procurador da União, portanto, servidor federal aposentado, também disse não possuir nenhum bem. ZERO patrimônio, segundo ele. Desculpa, senhor Wilson, mas não dá para acreditar.

Até o meu amigo Fábio Almeida (PSOL) incorreu nesse deslize de informar uma condição de quase pobreza. Fábio, que também é servidor federal, tem casa e carro próprios, afirmou possuir bens no valor de apenas R$ 18 mil. Chega a ser decepcionante se deparar com esse tipo de informação.

Proporcionalmente falando, parece até o caô aplicado pelo ex-senador Romero Jucá, em 2018, quando disse que seus bens somavam apenas R$ 195 mil e que recebia mesada dos filhos. A mentira foi tão grande, que ele, Jucá, acabou recebendo uma perna-mancada simbólica dos eleitores nas urnas.

E o Linoberg…

O candidato Linoberg Almeida (Rede), vereador e professor universitário, declarou ter bens que, juntos, somam R$ 578 mil. É mais do que Gerlane Baccarin (R$ 400 mil), Ottaci (R$ 48 mil), Fábio Almeida (R$ 18 mil) e Shaolyn Gomes (R$ 70 mil) juntos. Repito: estamos falando de um professor que está em seu primeiro mandato de vereador (e único, pois abriu mão da reeleição quase certa para disputar a prefeitura). Tire suas conclusões.

Os eleitores precisam ficar atentos às mentiras que os candidatos contam. Eu volto a analisar a declaração de bens dos demais candidatos num segundo texto.

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